<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679</id><updated>2011-08-30T12:28:50.976-03:00</updated><category term='revista de homem pelado'/><category term='filhos'/><category term='pra que serve isso aqui?'/><category term='merda'/><category term='silêncio'/><category term='jornalismo'/><category term='São Paulo'/><category term='agora entendi como usa essa coisa'/><category term='Brasil'/><category term='mega-sena'/><category term='martírio'/><category term='sonhos'/><category term='repressão'/><category term='micro-conto'/><category term='felicidade'/><category term='língua portuguesa'/><category term='amor'/><category term='desabafo'/><category term='hiato'/><category term='prosa'/><category term='cotidiano'/><category term='economia'/><category term='estupro'/><category term='meta-linguagem'/><category term='slumdog millionaire'/><category term='arte'/><category term='surrealismo'/><category term='infância'/><category term='crime'/><category term='jornalista'/><category term='faculdade'/><category term='Justino Jesus da Paz'/><category term='cigarro'/><category term='final de ano'/><category term='linguagem'/><category term='emprego'/><category term='reflexão'/><category term='redação'/><category term='crônica'/><category term='retrato'/><category term='frustração'/><category term='morte'/><category term='hospital'/><title type='text'>Joao escreve...</title><subtitle type='html'>... ou morre tentando.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-2648317337606389047</id><published>2010-12-03T02:30:00.001-02:00</published><updated>2010-12-03T02:30:12.230-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='hiato'/><title type='text'>Hiato</title><content type='html'>- H-i-a-t-o. &lt;br/&gt; - Assim professor? &lt;br/&gt; - Isso mesmo. &lt;br/&gt; - E o que é hiato? &lt;br/&gt; - Hiato é o encontro de duas vogais numa mesma palavra. Como em uma sílaba só pode uma única vogal, o hiato separa as duas vogais em sílabas diferentes. Como em sa-ú-de, ru-í-do, pa-ís. &lt;br/&gt; - E por que se separam as vogais? &lt;br/&gt; - Porque não pode duas vogais juntas. &lt;br/&gt; - Sim, isso eu entendi. Mas por que as vogais não podem ficar juntas? &lt;br/&gt; - É uma regra gramatical. &lt;br/&gt; - A regra não permite que elas fiquem juntas? &lt;br/&gt; - Não, querido. &lt;br/&gt; - Mas que chata essa gramática! Não deixa nem as letras viverem juntas. &lt;br/&gt; - Se é uma regra é porque tem um motivo. Se não fosse o hiato, as palavras ficariam difíceis de pronunciar. Nem toda separação é ruim. Às vezes é necessário haver uma separação para saber valorizar o tempo que temos. Na língua portuguesa, o hiato permite que apreciemos as palavras com calma, quase como se fosse a sobremesa mais gostosa que você já provou. As palavras ditas ao acaso são tristes e vazias. Já as palavras ditas com calma e com sabedoria são cheias de vida e significado, tanto para quem diz, como para quem ouve. Assim como no português, tudo na vida precisa de um hiato. &lt;br/&gt; - Por isso que eu tenho que aprender a ler e escrever direitinho? &lt;br/&gt; - Isso mesmo. Um dia voce entenderá que as palavras tem um significado muito além do que está escrito, e que mesmo quando se separa o todo ainda permence junto. &lt;br/&gt; (a melhor aula de português que este garoto teve)&lt;div style='clear: both; text-align: center; font-size: xx-small;'&gt;Published with Blogger-droid v1.6.5&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-2648317337606389047?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/2648317337606389047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=2648317337606389047' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2648317337606389047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2648317337606389047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2010/12/hiato.html' title='Hiato'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-1863075009007244667</id><published>2009-11-27T00:57:00.004-02:00</published><updated>2009-11-27T01:25:58.285-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='hospital'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>Fim</title><content type='html'>Minha saúde já estava complicada não era de hoje: apresentei alguns sintomas alguns dias atrás quando me levaram ao médico e a constatação de que os mal-estares nao eram tão triviais como eu pensava. Correu-me um frio na espinha quando o médico pediu mais alguns detalhes sobre a minha vida e meu histórico hospitalar. Respondi sim, mas com a tensão de um prognóstico não amigável. Curto e com uma objetividade científica, disse-me que era necessária uma intervenção cirúrgica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca gostei dos seriados com bisturis, seringas e aquele sangue à mostra. Causava-me mal estar. Poucas foram as vezes que entrei num hospital e menos ainda as vezes em que eu era o paciente. Mas venci o nervosismo inicial com o argumento do homem de branco: era pro meu próprio bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparada a equipe com seus aparatos metálicos, que faziam sons terríveis quando se cruzavam, e devidamente trajada de azul, como manda o figurino, botaram-me pra dormir. Não sei descrever a sensação, se é que tive alguma, mas o tempo passou devagar e acreditei viver entre a consciência de sentir meu corpo manipulado por mãos de borracha e uma fantasia onírica induzida. Passeei por cenários estranhos e familiares, encontrei-me com pessoas reais e fictícias, senti gostos que descasavam com o que comia, até a maçã que em minha boca tornou-se metálica, férreo, no instante que acordei. Era sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A equipe (disseram-me os familiares) tinha sido o mais competente quanto poderia se ter exigido, mas houveram complicações que não cabem citação. Meu corpo debilitado pouco se movia e uma sonda perspassava meu pescoço de tal forma que nao era possível falar. Nao esboçava muita reação e parecia absorto na situação tão delicada em que me incluia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias passaram-se, quando senti de súbito um terrível mal-estar. O último som que me lembro ouvir foi dos equipamentos numa orquestra de barulhos desordenada. Quis manter meus olhos abertos, bem abertos, numa tentativa de manter um elo com o mundo dos vivos, mas onde as pálpebras me eram fiéis, os olhos me trairam e o mundo escureceu. Desejei poder gritar, mas os ecos dos sons inventados ressoavam apenas no imenso vazio de meu corpo. Não havia luz. Ao meu silêncio, as batidas de meu coração eram a única música que se ouvia e que atestava minha existência, um sambão, daqueles bravos, violentos. Até o momento que erraram o tamborim, uma vez, mas continuou. Errou-se outras duas, três vezes. O mestre de bateria se zangou, e de repente fez-se o silêncio. Estava morto. Não morri no instante que morri: a consciência do meu eu começou a se esvair em meio a memórias e lembranças de toda uma vida. Toda uma vida nos meus últimos instantes, até que fiz 'plim' e sumi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-1863075009007244667?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/1863075009007244667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=1863075009007244667' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1863075009007244667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1863075009007244667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/11/fim.html' title='Fim'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-1237667828128700059</id><published>2009-08-11T01:36:00.007-03:00</published><updated>2009-08-11T02:24:59.444-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='merda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cigarro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='São Paulo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justino Jesus da Paz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>Paulista e tabagista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Justino Jesus da Paz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu fico pensando em fazer meu próprio blog e deixar esse espaço pro colega, mas toda vez que me passa esse pensamento eu acredito estar metendo a faca nas costas dele. Ninguém saberia que eu existo (não que muita gente saiba) se não fosse o 'João escreve...'. Aí vendo os textos do autor principal e a frequência que ele posta, me dá dó de querer fazer um espaço pra desbancar o coitado e o blog ficar às moscas. Pelo sim pelo não, vai aqui mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica aqui registrada a minha profunda insatisfação com essa merda de lei que baixaram em São Paulo: agora é proibido fumar em lugares fechados. Mesmo os lugares mais ou menos fechados não dá pra fumar. Pros não-fumantes com certeza está sendo uma maravilha e eu até apoio em certo ponto: tem certos lugares onde você entra Victoria's Secret ou Tommy Hilfiger e sai Marlboro, Carlton ou aquelas porcarias de cravo ou mentoladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente não é agradável ficar respirando a fumaça que passou pelo pulmão alheio (veja bem, na hora do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rush&lt;/span&gt; o transporte coletivo não é tão diferente), mas puta que o pariu: eu tenho que descer dois lances de escada pra ir fumar uma porra de um cigarro. Fumo na rua, na chuva, na fazenda e tenho que voltar pra redação, subindo os mesmos dois lances de escada que acabei de descer. Fico totalmente sem ar e o nervoso me faz querer fumar outro cigarro. Se queriam que os fumantes se exercitassem, estão conseguindo: acredito que minhas pernas até engrossaram de tanto sobe/desce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a fumar não pelo glamour dos filmes ou dos comerciais de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cowboy&lt;/span&gt;, mas porque a vida me preparou para o cigarro. Sempre fui estressado com as merdas todas que aconteciam comigo (já compartilhei umas com vocês) e a única maneira de me controlar foi pelo cigarro, já que o maracujá e a camomila não faziam mais efeito (aliás, passei a odiar os dois) e os tarjas pretas do mercado não costumam sair barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumo muito, algo entre dois e três maços por dia. Só assim pra aguentar toda a pressão dessa vida paulistana. E São Paulo além de me deixar assim, puto com tudo, agora quer que eu não me tranquilize, ou tenha que fazer um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fitness&lt;/span&gt; básico para tal. Pra sorte do estado e dos colegas, não vai demorar muito pra lei fazer efeito e diminuir o número de fumantes na cidade. Com a frequência que eu tenho fumado, não demoro a bater as botas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-1237667828128700059?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/1237667828128700059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=1237667828128700059' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1237667828128700059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1237667828128700059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/08/por-justino-jesus-da-paz-eu-fico.html' title='Paulista e tabagista'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-374856350881088593</id><published>2009-06-28T19:20:00.003-03:00</published><updated>2009-06-28T19:36:31.472-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='slumdog millionaire'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mega-sena'/><title type='text'>A saga do feliz ganhador da loteria</title><content type='html'>Não consigo dormir direito há uma semana. Os problemas de insônia começaram com o fatídico dia em que faturei sozinho um prêmio de 28 milhões de reais sozinho na loteria. Sinceramente não sei o que fazer com tal prêmio e as possibilidades turvam minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me intimidado com tantos zeros na conta bancária, e afim de não afetar relações entre amigos e familiares, não comuniquei a nenhum deles sobre a minha sorte. Tampouco a namorada, que tem me percebido demasiadamente apático e demonstrado sua preocupação comigo e conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui trabalhar essa semana. Na segunda não fui porque acreditava que não precisava; na terça não fui alegando mal-estar na família; na quarta tive uma crise paranóica e, com medo de que alguém desconfiasse de algo, não sai de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na quinta-feira que, bem discretamente vestido e sem aparentar grandes alegrias, fui até a lotérica onde fiz a aposta para reclamar meu prêmio. Uma grande faixa de "Aqui saiu o prêmio de 28 milhões de reais" estava logo na entrada. Criou-se um grande burburinho no bairro onde moro com relação a identidade do feliz ganhador da loteria. Eis-me lá. Falei baixo ao caixa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Sou o ganhador da loteria, gostaria de saber como posso retirar meu prêmio'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passo que houve um grande rebuliço, com direito a sirene, buzinas e estouro de champanhe barato. De repente todos ali sabiam a minha identidade, e curiosos se aproximavam para saber o que acontecera. Fui congratulado, apertei várias mãos e as pessoas me enxergavam como uma imensa estátua de ouro ali, parada, perplexa. Após uma certa comemoração, a atendente me entregou um papel com as instruções de como retirar meu prêmio junto ao banco do governo (deveria ser lá, dado o montante a ser recebido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornei para casa seguido por centenas de olhos famintos por qualquer quantia que pudesse aliviar as suas dores. Tornei-me uma espécie de santo pagão. Não consigo dormir direito há uma semana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-374856350881088593?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/374856350881088593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=374856350881088593' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/374856350881088593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/374856350881088593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/06/saga-do-feliz-ganhador-da-loteria.html' title='A saga do feliz ganhador da loteria'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-6711174242076749414</id><published>2009-06-20T02:51:00.003-03:00</published><updated>2009-06-20T03:09:21.297-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='slumdog millionaire'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mega-sena'/><title type='text'>O feliz ganhador da loteria</title><content type='html'>Hoje aconteceu o inesperado. O que não passava de uma brincadeira despropositada (mas com um fundinho de fé) se tornou realidade hoje. Descreditei quando acompanhei os números na tela do computador batendo tal qual os da aposta que fiz ontem. E o resultado conferia: um único ganhador na mega-sena havia levado para casa sozinho 28 milhões de reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exaltei-me, fiquei eufórico, e as axilas suavam como se estivesse correndo a maratona ao ver e rever o resultado. Mas sim, tornei-me o mais novo milhonário do quarteirão, do bairro, da cidade, do país. Chega dessa vida batida e cansada, desse dia-a-dia monótono e estúpido. Nada mais me importa: não precisarei mais ir ao trabalho na segunda e os trabalhos da faculdade todos podem ser adiados para sempre. Viverei de rendimentos da gorda poupança que se abre para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serei aclamado como salvador da pátria dos amigos e familiares endividados. Vejo todos congregrados ao meu lado, brindando à minha saúde e gozando comigo a minha própria sorte. Sequer sei o que farei com 28 milhões de reais, é muito mais dinheiro do que consigo imaginar. Nunca tive sonho de imóveis, automóveis, empreendimentos monstruosos. Talvez eu apenas queira viver no sossego de uma vida tranquila regada com as coisas mais básicas. Talvez compre uma casa na praia, onde passarei o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco sei dizer sobre o futuro da exorbitante quantia. Só sei que, por hora, manterei segredo sobre esse fato. Ser milhonário implica em muitos riscos. Quem sabe o que o futuro me aguarda?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-6711174242076749414?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/6711174242076749414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=6711174242076749414' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6711174242076749414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6711174242076749414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/06/o-feliz-ganhador-da-loteria.html' title='O feliz ganhador da loteria'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-7499861137114223094</id><published>2009-03-28T06:47:00.000-03:00</published><updated>2009-03-28T07:05:12.520-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='merda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frustração'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='emprego'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justino Jesus da Paz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='felicidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filhos'/><title type='text'>Gênese canhestra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Justino Jesus da Paz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Começou tudo errado na minha infância: meus pais tentavam mostrar para mim a importância de estudar e ter uma profissão boa. Não vou dizer que era relaxado para estudar, mas era sempre assim "Pai, porque eu preciso estudar?" "Pra ter um emprego bom, filho" "E pra que eu preciso ter um emprego bom?" "Pra conseguir pagar suas contas, filho". Meu pai nunca chegou pra mim e me disse: vai lá filho, seja feliz. Acho que ele deduzia que com um bom emprego e com as contas pagas eu seria feliz, e foi isso que eu deduzi também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade eu até arrisco que hoje eu sou feliz. Por que? Porque eu pago as minhas contas. Não só as contas mas compro qualquer merda que eventualmente vá me fazer feliz. Sou muito feliz por causa das coisas que tenho, porque alguém me diz eventualmente que ter tal coisa deixa a gente muito feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Troquei meu sonho de ser piloto de Fórmula 1 (inspirado pelo Senna), jogador de futebol (inspirado pelas copas), de ser astronauta ou mocinho de Hollywood (inspirado pelo cinema), policial ou bombeiro ou médico (inspirado pela função fundamental das profissões), cartunista ou músico ou artista ou escritor (que é o que eu realmente queria ser) por uma televisão de plasma de 50 polegadas. Fiz um ótimo negócio, pai. Troquei inclusive o casamento (o senhor nunca me falou nada sobre isso) por uma trepada ocasional no meu duplex. Uma pechincha, às vezes eu nem preciso pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo ser feliz também por ter superado essas porras todas que cruzaram meu caminho: a falta de vocação pra algo, a faculdade, a redação, minha frustração com incapacidade de mudar o mundo. O mundo é uma grande bosta muito maior do que a gente que manda a gente estudar e comprar TVs de plasma. Hoje meu pai tem orgulho de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perguntaram algumas vezes: Justino, você quer ter filhos? Deus me livre de ter filhos. Um dia o guri vai vir pra mim e me perguntar pra que ele tem que estudar. Não vou saber responder no começo e logo em seguida vou mandar ele à merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-7499861137114223094?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/7499861137114223094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=7499861137114223094' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7499861137114223094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7499861137114223094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/03/genese-canhestra.html' title='Gênese canhestra'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-3960604114666626051</id><published>2009-03-16T02:58:00.004-03:00</published><updated>2009-03-16T03:23:23.094-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='redação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='faculdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revista de homem pelado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justino Jesus da Paz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desabafo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='agora entendi como usa essa coisa'/><title type='text'>Desaventuras no jornalismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Justino Jesus da Paz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, após algumas brigas com esse negócio todo aqui, eis meu segundo texto. Como eu falei antes, meu nome é Justino Jesus da Paz, amigo do proprietário dessa birosca, que está postando em caráter extraordinário para "recuperar o meu eu lírico", vulgo encher linguiça enquanto o João não pode. Grande coisa ter encontrado o cara depois de tanto tempo e ele me mandar escrever aqui, francamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já que não tem muito o que fazer, vou escrever, afinal 'Justino escreve'. Vou contar a vocês o que me levou a me tornar jornalista. Para quem não sabe eu sou jornalista. Sou formado numa faculdadezinha mequetrefe que não vale a pena citar, principalmente porque não me ensinou nada do que faço hoje. Mas enfim, a única coisa que eu sabia fazer mais ou menos direito quando pequeno era escrever. A professora até elogiava os meus textos e falava que eu era uma criança criativa nas reuniões de pais e mestres. Minha mãe quando lia os textos achava no máximo bacana e meu pai claramente gostava mais de ler o jornal. Minha vó é quem deu trela e falou "aposto que um dia você vai ser um grande jornalista". Ela não falou escritor porque não queria que eu passasse fome. E deu no que deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amarguei alguns anos de faculdade, regado a muita festa e tranqueiras, como todo bom universitário faz (se você não é, recomendo que entre na faculdade por esse motivo). Não vou dizer que foi ruim, vai. Aprendi a bolar baseados e corrigi alguns erros de português grotescos que eu cometia. Dei uma melhoradazinha no estilo com auxílio de alguns professores que realmente se preocupavam comigo. Estagiei na redação de um grande jornal daqui de São Paulo e outra de uma revista feminina de homem pelado. É, eu tava precisando bastante do dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tentativa de impor minha visão crítica de mundo, voltei as redações de grandes jornais, mas não mais como o garoto que passa o café ou tira xerox, e sim como o redator. Mas tomei no cu: meu chefe queria que eu escrevesse exatamente como ele pensa. Sabe como é, se eu não escrever como ele pensa, que é como o chefe dele pensa, ele se fode e eu vou junto na roda. Enfim, fiquei desgostoso com isso. Não posso nem me expressar como eu quero nessa merda de profissão. Talvez na revista de homem pelado as pessoas me ouçam mais do que nessa bosta de redação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-3960604114666626051?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/3960604114666626051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=3960604114666626051' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3960604114666626051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3960604114666626051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/03/desaventuras-no-jornalismo.html' title='Desaventuras no jornalismo'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-2215044078674781695</id><published>2009-03-06T09:36:00.003-03:00</published><updated>2009-03-06T09:51:37.720-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pra que serve isso aqui?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justino Jesus da Paz'/><title type='text'>Novo Colaborador</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Justino Jesus da Paz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Já dizia minha avó que não devemos disperdiçar as oportunidades. E foi com essa linha de raciocínio que eu aceitei (na verdade, antes eu aproveitei outras oportunidades e elas acabaram se aproveitando de mim, espero não estar no caminho errado) a oportunidade de me tornar colaborador deste blog, junto a meu amigo João. Certamente poucas pessoas me conhecem. Pra ser exato, nenhum de vocês deve me conhecer, porque nunca dei as caras por aqui, nem em citação, mas tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos perdidos eu explico: eu e João praticamente crescemos juntos e fui uma daquelas amizades de infância que vingou. Algum tempo sem se falar, acabei o encontrando e matamos as saudades. Algum tempo depois, numa conversa aleatória em algum bar de São Paulo, bebericando uma cervejinha (na verdade foi por Gtalk e eu sou abstêmio, mas acho que assim dá um ar mais boêmio), comentei da minha infelicidade com a minha profissão. Ah, eu sou jornalista. E então meu amigo se ofereceu para me dar um teto nesse espaço virtual para tentar me reencontrar com "a beleza subliminar das crônicas e histórias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo, a primeira coisa que fiz foi acessar o blog e ver os 'posts', como diria ele. Vá lá, alguns textos meio chifrins, mas não era mal. Pelo menos não tinha (muitos) erros de português. Me interessei e falei para ele que toparia escrever uma coisa ou outra. Na verdade, a ter que escrever algo em conjunto com ele eu preferiria fazer o 'Justino escreve', mas para não atropelar a idéia do colega fiquei por isso mesmo. Virei colaborador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade eu não sei o que deu na telha do cara pra me chamar aqui para escrever. Eu sinceramente não tenho nada para falar, principalmente para vocês que são pessoas que eu nem conheço. Pra ser honesto, acho que o Jão abandonou essa tranqueira na minha mão pra ficar atualizando qualquer merda e falar que o blog tem conteúdo. Mas antes que a oportunidade se aproveite de mim, eu vou me aproveitar dela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-2215044078674781695?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/2215044078674781695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=2215044078674781695' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2215044078674781695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2215044078674781695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/03/novo-colaborador.html' title='Novo Colaborador'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-7212886514754686638</id><published>2009-02-03T01:06:00.003-02:00</published><updated>2009-02-03T01:23:03.168-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Anti-merchandising</title><content type='html'>(começa com uma frase de efeito e termina com uma história real)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emagreci 5kg nos primeiros dias: era a depressão que me roia os ossos. Te amei, te amava (os tempos verbais todos se confundem) por tanto tempo, que o simples pensamento de amanhecer sem a perspectiva de você me azedava a boca, ao ponto que a comida que entrava, quando entrava, era pouca e caia mal no estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorei. Chorei absurdos, a tal ponto que acreditei ter perdido os 5kg assim: no choro. Tornei-me inútil e tão pouco necessário. Apenas ficava ali, parado, num transe. As coisas paradas se mexiam e por alguns momentos te vi atravessar a porta desesperada, em vão. Tua imagem virou pintura na porta por onde te vi passar e dizer adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a fumar e cheguei a arquitetar minha própria morte. Deixei os dois, pois nenhum caminho me levava para o teu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a me torturar com as fotos de nós dois juntos. Amei-te tão profundamente que seria capaz de construir a ponte no abismo, brotar uma rosa no chão. Quis teu cheiro em um vidro para dele fazer meu vício, meu perfume diário e ocasional. Nada ficou senão a sua imagem, e as nossas fotos, na minha mão, se apagavam com tamanho querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou resoluto e batalhador. O tempo fez questão de apagar as nossas memórias, mas como um jarro de água no deserto, restaram de mim 5kg a menos de gente e uma sede absoluta que rios, lagos e oceanos não conseguem levar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-7212886514754686638?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/7212886514754686638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=7212886514754686638' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7212886514754686638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7212886514754686638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2009/02/anti-merchandising.html' title='Anti-merchandising'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-7971707642503635836</id><published>2008-09-26T23:00:00.003-03:00</published><updated>2008-09-26T23:22:59.774-03:00</updated><title type='text'>Alegria Barata</title><content type='html'>A vida anda cada vez mais corrida e cheia de empecilhos para se viver. Que se dirá de nós, nesse presente de 30 anos depois de hoje, onde as coisas tornaram-se menos humanas e tudo gira em torno do dinheiro?&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fato é que nesse nosso futuro-presente, os avanços tecnológicos se fizeram presentes e coroaram a civilização com a maior das invenções: a alegria. Não a alegria, sentimento que brota como uma flor que rompe o asfalto, mas a alegria essência. Através de processos físico-químicos complicadíssimos, cientistas conseguiram sintetizar em sua forma mais pura a alegria, nosso remédio de cada dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não demorou para cair na industria a miraculosa fórmula, que deu à alegria as mais diversas formas para consumo humano: latas de 350ml, garrafas de diferentes volumes, em pó (para ser misturado com água ou inalado), em pastilhas, drágeas, para fumar, injetável, emplastro, creme, etc etc. O número de opções era tamanho que logo a alegria tornou-se bastante acessível às mais diversas classes sociais. Foram os tempos da alegria barata.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O efeito colateral, não previsto pelos químicos e farmacêuticos, é que a alegria gerou uma dependência em massa sobre seus consumidores. A alegria então tornou-se a droga legalizada com o maior número de dependentes químicos em toda a história da humanidade. Em pouco tempo, a especulação sobre a necessidade da alegria elevou os preços de todos os produtos, de tal modo que a alegria passou a se tornar artigo de luxo perante a sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A maioria da população passou a consumir a alegria em doses cada vez mais espaçadas, na tentativa de dar um pouco de sabor e cor em tempos tão cinzentos de máquina, cotidiano e contas a pagar. Mas certamente os maiores afetados pelo processo foram as classes menos privilegiadas, que passaram a não encontrar em sua existência um resíduo de alegria. Persiste no tempo a sabedoria popular de até hoje: "alegria de pobre dura pouco". E a nossa (nos dias de hoje) muito menos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-7971707642503635836?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/7971707642503635836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=7971707642503635836' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7971707642503635836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7971707642503635836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/09/alegria-barata.html' title='Alegria Barata'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-3673181412594774909</id><published>2008-08-26T03:10:00.003-03:00</published><updated>2008-08-26T03:39:35.010-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='surrealismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='silêncio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retrato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='micro-conto'/><title type='text'>Retrato IV</title><content type='html'>Súbito o susto ao me deparar pela manhã ao lavar o rosto o fato que não possuia mais boca. Fora apagada da minha existência como se por um capricho de Deus houvesse a borracha do existencial e com algum atrito sumisse com minha boca. Queria abri-la, por dentro, mas a pele a envolvia como a mais forte fita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desesperado, saí de casa em busca de amparo e quando percebo estou no meio da rua de pijama. A porta magicamente some atrás de mim. As pessoas andam indiferentes a sua situação: sem sorriso, sem boca. Entro em um banco e tento pegar a caneta com a qual se preenche os dados dos depósitos nos envelopes, quando sou duramente repreendido pelo guarda com uma porrada na mão. Ele, incapaz de falar, me olha com reprovação e saio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torno à rua, mas não estou mais lá: me encontro agora num desfile de carnaval. As mulheres sem bocas persistem e rebolam seus corpos semi-nus para uma platéia que, na falta de grito, arregala bem os olhos para poder ver e demonstrar sua aprovação. Sinto um beliscão do diretor de evolução da escola, que me aponta para o fim da avenida (pedia que eu fosse para lá...) e fazia mimicas de alguém desfilando (...alegremente). Como é possível ser alegre sem sorrir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final, desemboco por outra travessa do tempo-espaço e me encontro numa editora de um influente jornal. Desesperado, pego a primeira caneta que me aparece e um pedaço de papel e chamo atenção de uma pessoa qualquer. Tento escrever, mas minha mão vacila insistentemente e a sinto formigar após um certo tempo. Não posso escrever. Meu suposto interlocutor me reprova cerrando as sobrancelhas e mandando eu me fuder com um gesto. Sinto vontade de mijar e entro no banheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde (como já era de se esperar) não estou no banheiro. Estou num cemitério com um jazigo aberto onde não contenho a minha vontade e mijo, ali mesmo. Um cortejo de sem bocas aparece carregando consigo um caixão cheio de textos meus: os que eu escrevi, os que eu não terminei, os que eu não escrevi e os que nunca me passaram pela cabeça escrever. Jogaram com força cova abaixo e foram embora, os homens de roupa e chapéu pretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordo já é tarde. Sinto a necessidade urgente de escovar meus dentes e cerrar minha boca com a linha e a agulha do improvável, rumo a mais um dia de culto ao silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-3673181412594774909?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/3673181412594774909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=3673181412594774909' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3673181412594774909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3673181412594774909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/08/retrato-iv.html' title='Retrato IV'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-6397928667584979506</id><published>2008-06-21T01:35:00.002-03:00</published><updated>2008-06-21T02:22:57.625-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>Arte em crise</title><content type='html'>Nos últimos meses vem se observando os seguidos escândalos ligados a roubo de quadros em renomados museus de São Paulo, inclusive um deles dizia-se um dos mais seguros. Perplexa, a polícia recorreu à ajuda internacional acionando a Interpol, para ajudar a solucionar o caso intrigante. Foi quando, por livre e expontânea vontade, um homem se apresentou a uma delegacia de polícia, num dia qualquer e assumiu a autoria dos crimes. A imprensa choveu na porta do estabelecimento tão logo soube que o autor dos crimes fora detido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movido para o prédio principal, onde ficava a elite da polícia para investigações do gênero, seguiram crimonoso e policiais para a sala de interrogatório:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bem, você se entregou de livre expontânea vontade. Acredito que não será trabalhoso dizer o que o motivou.&lt;br /&gt;- Já me entreguei, não vejo lógica em querer saber meu motivo.&lt;br /&gt;- Veja bem, se não soubermos o que o motivou, somos incapazes de apurar se você realmente foi o autor dos crimes.&lt;br /&gt;- Se quiser provas concretas, dou o endereço onde estão os quadros e explico como entrei no museu com detalhes.&lt;br /&gt;- Mas ainda assim, você se entregou! Porque raios cometeria um crime e se entregaria depois?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Queria vender os quadros para o mercado negro? Fez isso por fama? Um teste às suas habilidades de gatuno? É louco?&lt;br /&gt;- O que o interessa é minha motivação e não o crime em si?&lt;br /&gt;- A curiosidade é parte da natureza humana.&lt;br /&gt;- Pois bem, vou lhes dizer porque roubei os quadros. Na verdade, foi tudo planejado há um bom tempo. Sou um homem de posses, honesto e grande apreciador da arte. Faço parte de um grupo de pessoas que organiza eventualmente exposições de arte, recitais, saraus, tudo aberto ao público. Entretanto o número de pessoas que apareciam era cada vez menor, restringindo-se cada vez mais aos membros de nossa sociedade. Fizemos várias reuniões para promover discussões relativas a degradação a arte junto ao povo brasileiro. Ficamos transtornados em verificar com registros estatísticos de fontes confiáveis, que mesmo estando num dos países mais ricos em termos de variedade cultural e expressão artística, o brasileiro se distanciava cada ver mais dos livros, do teatro, dos museus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Decidimos então tomar decisões drásticas e organizamos o roubo nos dois museus de São Paulo. Utilizando o capital que nossa instituição possui, além de contatos clandestinos que eventualmente conseguimos, nos infiltramos no ramo de captação de obras de maneira ilícita. Você ficaria impressionado com o que já foi roubado não apenas no Brasil, mas no mundo todo: peças antigas, de séculos atrás, pinturas, esculturas, escritos originais, cópias de livros com baixa tiragem. A troco de um bom montante, conseguimos informações e ferramentas para orquestrar nosso crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não tivemos o intuito de fazer nada com as obras, tanto que algum tempo depois vocês encontraram os quadros intactos do roubo do MASP. Fomos nós mesmos que fizemos a denúncia anônima sobre o paradeiro das obras. Nosso objetivo era chamar a atenção para o descaso com a arte brasileira. Em Minas, obras de Aleijadinho sofrem constantes depredações por parte dos turistas; em São Paulo o próprio MASP teve sérios problemas financeiros. Mostramos com o nosso roubo que a segurança dos locais que guardam o patrimônio cultural do Brasil e do mundo são exatamente o reflexo do interesse geral na arte: nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Veja o baque que causamos: depois do roubo das obras do MASP, o número de visitações subiu! É claro, pois todos temem que algum dia sejam incapazes de ver algum dia as obras de Portinari e Picasso assim, tão de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Decidi me entregar, e meus camaradas o farão logo em seguida, pois uma hora nossos roubos seriam tão triviais quanto chacinas e escândalos no congresso. Veja o baque que causamos: depois do roubo das obras do MASP, o número de visitações subiu. É claro! pois todos temem que algum dia sejam incapazes de ver algum dia as obras de Portinari e Picasso assim, tão de perto e cansaram de adiar sua visita antes que seja tarde demais. Nos entregamos para fazer mais barulho e acordar esse povo para a beleza que se encerra em seus museus, antes que os piratas internacionais surjam e levem de vez esses quadros."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocando as algemas no homem, o policial ficou perplexo com a declaração, mas não pode negar, ainda que consigo mesmo, que ele tinha toda a razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-6397928667584979506?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/6397928667584979506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=6397928667584979506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6397928667584979506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6397928667584979506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/06/arte-em-crise.html' title='Arte em crise'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-4443013349644281906</id><published>2008-06-10T02:21:00.003-03:00</published><updated>2008-06-10T02:44:33.969-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Dia dos namorados</title><content type='html'>Peço perdão pelo cliché poético e pela mais profunda falta de criatividade em mais este dia dos namorados, amada, mas peço humildemente que aceite este presente. Não tenhas pressa em abri-lo: garanto que não é nada que não tenha te prometido antes. Mas a grana andava curta, sabe? Não o dei antes porque temia (não mais do que o amor que tenho por ti) cair na ferozes e impiedozas garras do cheque especial, esse vilão dos tempos modernos que pouco entende de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pacote está meio amassado sim. Vim correndo te trazer o presente, passando por ônibus, metrô, chuva e outros cataclismas da vida cotidiana. Mas não te incomodes por isso, nem pela embalagem sem graça e mal feita. Confesso que eu mesmo embrulhei o presente. Achei que fosse especial demais para pedir a minha mãe ou a moça da loja que embrulhasse para você. Saiba que não sou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;expert&lt;/span&gt; em material de papel (no escrito não vou tão mal), mas julgo importante o conteúdo a ponto de querer embalá-lo eu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não! Mais devagar! É frágil, aviso! Pensei se não seria mais adequado acomodá-lo em jornal, algodão, plástico-bolha, ou com aquelas bolsas de ar de entrega de correio. Mas qualquer um desses itens estragaria ou afetaria a qualidade do presente. Ele é único. É peça antiga, mas é contemporânea (não é arte!). Perdão a falta de sigilo, mas digo também que já teve outros donos. Eu sei que é deselegante falar isso... e não! Não estou passando presente para frente! Você merece muito mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais, amada! Pode revelá-lo aos teus olhos anciosos! Sim, é meu coração que te dou neste dia tão especial. Podes achar graça ou a falta dela, pois há muito te digo que é teu e não se dá o já dado a alguém. Mas confesses que foi uma manobra ousada, principalmente nesses tempos em que tanta coisa eu poderia ter te dado e tão pouco caso terias feito até o momento em que acabaria o perfume, as flores murchassem ou o ursinho fosse doado às crianças carentes. Ao menos meu presente é verdadeiro e sincero, todo amor que tenho por ti (espero sinceramente que não o esqueças num vidro com formol, na prateleira).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-4443013349644281906?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/4443013349644281906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=4443013349644281906' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4443013349644281906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4443013349644281906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/06/dia-dos-namorados.html' title='Dia dos namorados'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-4241994767744349727</id><published>2008-06-04T01:45:00.003-03:00</published><updated>2008-06-04T02:15:17.952-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='língua portuguesa'/><title type='text'>Privatização do português</title><content type='html'>Começou com uma brincadeira na sala de reunião da com o alto escalão da empresa. E se registrassem o nome da empresa, a QuaNTo (cujo significado deixo em aberto) de modo que cada pessoa que grafasse de alguma maneira se nome tivesse que pagar uma quantia simbólica pelo uso do nome? Os advogados entraram na justiça para requerer o direito e ver no que dava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E justo num daqueles buracos das leis, que só os especialistas entendem, a empresa conseguiu ganhar a causa, sendo estipulado o fato de que a cada vez que a palavra 'quanto' (com qualquer combinação de letras maiúsculas ou minúsculas) a pessoa deveria pagar um centavo de real à empresa. E mal sabem vocês a quantia alarmante que a empresa lucrou em curto período de tempo, de modo que as pessoas já estudavam táticas para driblar o uso da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este caso tornou-se um marco sem precedentes em termos de economia e língua portuguesa. Aproveitando a morosidade da justiça, empresas começaram a patentear palavras soltas da língua portuguesa sob o pretexto de que as tais eram acrônimos para nomes de produtos, subdivisões do empreendimento, marcas, nomenclatura de protótipos, etc. Alguns tiveram destaque internacional, como a empresa "a", que surgiu do nada e tão logo possuia um dos maiores capitais do país, com ações na bolsa e tudo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visando apaziguar os ânimos e percebendo-se do potencial econômico de sua própria língua nativa, o governo soltou um pacote de medidas que previam a venda de conjuntos de palavras ainda sem dono. Algumas palavras foram repatriadas e postas a leilão, a título de cobrir os enormes gastos causados pelo buraco na legislação. Escritores (atividade posta em risco ante a ameaça de cobrança por palavra) em suas colunas no jornal não poupavam veneno em seus textos: quem dizia que não era possível ganhar dinheiro com o português?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-4241994767744349727?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/4241994767744349727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=4241994767744349727' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4241994767744349727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4241994767744349727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/06/privatizao-do-portugus.html' title='Privatização do português'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-4940141755848338188</id><published>2008-05-28T02:11:00.006-03:00</published><updated>2008-05-28T03:37:26.437-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meta-linguagem'/><title type='text'>Hiato criativo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial,sans-serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;a href="http://www.snoopy.com/comics/peanuts/meet_the_gang/images/strips/f4a6.gif"&gt;"It was a dark and stormy night"&lt;br /&gt;- Snoopy&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E lá está novamente o mundialmente conhecido escritor, na frente de sua máquina, o cigarro aceso e os dedos nervosos aguardando as nervosas batidas nas teclas de sua Olivetti elétrica. O expediente no trabalho fora bastante produtivo e tinha certo o fato de que, tão logo chegasse em casa, botaria em papel mais um bom texto para ser publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as coisas não fluiram tão bem quanto se esperava. Passava já do segundo maço e a pequena sala improvisada onde ficava a escrivaninha e sua máquina já se turvava com o tanto de fumaça. Tinha certo o tema para mais um texto no retorno para casa que já até recitava para si mesmo as linhas do primeiro parágrafo. Fato é que no papel não ficou tão bom quanto na fala, e lá se foi um papel pra lixeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem escreve tem que se resignar: tem horas que o santo definitivamente não baixa. E ficamos adiando entregas prometidas para datas, quando escrever depende muito mais de algo que nos é desconhecido do que propriamente de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor tomou em mãos o jornal do dia (já de ontem, pois passara da meia-noite). As notícias de sempre: nononono nononono nono no nonono. Pensou em escrever sobre isso, mas quando os ingredientes são ruins, a sopa sai insossa. Matou as cruzadinhas do dia afim de achar uma palavra que desencadeie o fluxo de idéias, rumo a um texto esplendoroso. Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já meio entregue ao sono e com o pulmão menos saudável (foram 5 maços em toda noite), desceu até a padaria da esquina onde foi tomar um café-da-manhã para se recompôr. Foi quando a mocinha veio lhe trazer o desjejum que lhe veio o lampejo. Marcou a idéia para um texto genial num guardanapo que, posteriormente pela falta de atenção, usou para limpar a boca. Antes de voltar à máquina, decidiu cochilar, quando esqueceu sua idéia e sua necessidade de escrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-4940141755848338188?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/4940141755848338188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=4940141755848338188' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4940141755848338188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4940141755848338188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/05/hiato-criativo.html' title='Hiato criativo'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-8866593317268287562</id><published>2008-05-15T00:26:00.002-03:00</published><updated>2008-05-15T00:38:55.885-03:00</updated><title type='text'>Existência</title><content type='html'>Mas... o que é o ser humano senão seus desejos, suas vontades e sua manifestação em relação ao todo em que vivemos? Somos a provocação viva, o argumento e a dúvida. Existir assusta, impressiona, encanta ou incomoda, mas é essa sensação exata que comprova nossa existência ante todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que as coisas são quando não olhamos? As coisas são as coisas em si: o vaso, a cama, os livros sobre a mesa e a mesa em si. O que diferencia o ser humano das coisas é que, quando ninguém está olhando, não somos nós: somos nossas sombras. E vamos deixando de existir assim, aos poucos, até que um par de olhos venha nos salvar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-8866593317268287562?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/8866593317268287562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=8866593317268287562' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8866593317268287562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8866593317268287562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/05/existncia.html' title='Existência'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-6030350383849089351</id><published>2008-01-01T03:11:00.000-02:00</published><updated>2008-01-01T03:43:00.237-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='final de ano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reflexão'/><title type='text'>O passado passado está</title><content type='html'>Meu final de ano pode ter sido insosso, mas é consequência direta de uma série de circunstâncias que incluem a ocasional falta de dinheiro e uma mudança radical nos planos. Mas ainda assim teve espaço para uma ceia modesta, um vinho para se beber só nessas ocasiões e um pouco daquele ambiente familiar que se tenta resgatar nessas épocas. Mas o meu fantasma de fim de ano não consegue descansar em paz (talvez o cujo não tenha morrido ainda em consequência disso) pois achava justo que eu compartilhasse umas poucas palavrinhas aqui. Eis-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2007 foi um ano turbulento, cheio de coisas que botam a gente pra pensar. Afastei o fantasma do desemprego com meu primeiro estágio oficial, embora eu já trabalhasse desde o segundo ano da faculdade. Comecei a ver a cor do dinheiro e, não nego, fiquei encantado e praticamente escravo dele. Mas além disso tudo, serviu para eu perceber que tudo aquilo que a gente aprende na faculdade de fato vai servir para alguma coisa. Pode parecer bem contraditória essa afirmação, mas a formação que temos é bem mais acadêmica, o que faz pensar bastante se estamos preparados para o mercado de trabalho. Agora posso dizer que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um ano de conquistas pessoais também. Comecei a treinar para valer atletismo e percebi a importância da participação, constância nos treinamentos, disciplina e sobretudo o esforço para manter a equipe unida e vencendo. Rigososamente eu não ganhei nada esse ano, nossa equipe de atletismo de longe foi uma das melhores, mas tentamos, treinamos e certamente demos muitas risadas. Acho que encaixar o esporte na vida é algo difícil para a maioria das pessoas, devido a toda essa correria. Mas senti que dessa vez foi diferente e consegui levar mais a sério esse ano. Que agora em 2008 seja parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa a mais aprimorou esse meu senso de coletividade. Contrariando um pouco minhas próprias expectativas, dei um pouco de voz aos movimentos políticos que abalaram a USP no primeiro semestre. Sinceramente não fui à reitoria ver os estudantes ou prestar apoio ao movimento que tomou o prédio, mas ao menos fui me informar a respeito do que eles protestavam. E dei razão. Um pouco mais que isso, redigi longos textos e participei de discussões acaloradas sobre os temidos decretos do Serra. Acredito que aprendi a ser mais crítico com a realidade depois desse episódio. Estou de olho no que acontece no mundo e estou pronto para discutir (aqui, talvez?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E certamente, participar de trabalho voluntário foi um dos grandes ganhos para esse ano. Era uma vontade que antes era apenas uma semente e já nesse final de ano vejo-a brotar. Ajudar acabou fazendo um grande bem para mim mesmo, fez-me sentir com poder para mudar o mundo, mesmo que em uma parte quase insignificante. Mas tenho a certeza de que aqueles poucos atendimentos que participei esse ano foram o suficiente para alterar o rumo de muitas vidas, de um jeito que eu nem sequer consigo imaginar (mas tenho certeza).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esse ano que acabou de passar não tenha sido o melhor ano da minha vida ou aquele em que eu estivesse totalmente feliz. Teve seus problemas como todos os anos têm, trouxe tristezas e felicidades em doses não tão iguais. Foi um ano diferente. Foi um ano talvez de botar a mão na massa e tentar fazer algo de bom para mudar esse mundo e a mim mesmo. E não sou nem louco de querer me mudar e ser feliz ao mesmo tempo: sei que tudo são fases num mesmo copo que não se misturam. Agradeço profundamente pelo que ficou, de uma maneira sóbria e lúcida, como uma verdade que toma corpo bem diante dos meus olhos. De 2008 apenas espero o óbvio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-6030350383849089351?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/6030350383849089351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=6030350383849089351' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6030350383849089351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6030350383849089351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2008/01/o-passado-passado-est.html' title='O passado passado está'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-1615965381798136274</id><published>2007-12-26T02:44:00.000-02:00</published><updated>2007-12-26T03:15:22.846-02:00</updated><title type='text'>Las ultimas monedas</title><content type='html'>A viagem tinha sido mais onerosa do que qualquer previsão feita, isso era fato. Mas mesmo ante as dificuldades impostas pela falta de dinheiro, além da imensa barreira cultural que era a língua nativa e tantas outras que se apresentaram no caminho, juntei com bastante esforço moedas de pesos argentinos de diferentes valores. É meio que uma mania minha colecionar essas coisas diferentes que me aparecem na frente e achei que seria uma boa idéia retornar ao Brasil com umas moedas para poder me recordar bem da viagem (talvez lembrar da falta de dinheiro dessa viagem em particular).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi naquela espera demorada no aeroporto de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mar del Plata&lt;/span&gt;, cujo movimento na época de inverno era de um avião por dia, que nos encontramos eu e minha mãe perplexados pela mais profunda falta do que fazer. Nosso vôo sairia muito mais tarde naquele dia e estávamos com o dinheiro contado para pernoitar em Buenos Aires aquela noite, nossa última em terra argentinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi a saudade, que em palavra só exista no português mas é o sentimento mais globalizado do mundo, que desencadeou simultaneamente uma inquietude em nossos corações. Minha mãe estava apreensiva em ver novamente meu irmão mais novo e eu a minha amada. Decidimos procurar por um orelhão no aeroporto que, certamente, faria ligações internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fato curioso é que os orelhões de lá aceitam moedas de peso para efetuar ligações, bem à moda dos nossos telefones públicos antigos que funcionavam com fichas e se tinha um certo tempo limite para falar. Sacamos as moedas e desembainhamos o fone. Instruções, instruções: muita burocracia para ligar para casa. Primeiro minha mãe que ligou para minha avó e falou com meu irmão, emocionada e já cansada das terras estrangeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, conferi o tanto de moedas que havia guardado. Passou-me pela cabeça naquela hora o preceito mais fundamental das relações humanas a dois: a reciprocidade do amor. Ela talvez jamais entenderia o tanto de esforço que era me desprender daquelas poucas moedas para lhe falar um minuto, no máximo dois. Ouviria minha voz e pensaria "ele está bem" quando na verdade do outro lado do gancho uma saudade já quase desesperada devorava a calma e fazia as horas passarem mais devagar. Para mim aqueles instantes seriam a mais poética representação do nosso relacionamento até então: os amados que estão distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoli toda a pensação e num ato de impulso puxei o telefone para mim e comecei a colocar as moedas. Umas demoraram mais a cair, mas coloquei o tanto que achei adequado falar. Estava nervoso, ancioso. Mas todo o mundo passou a importar pouco, inclusive as horas que se seguiriam (as piores de toda a viagem) e a vontade pouco racional de juntar moedas estrangeiras quando a voz saiu como uma injeção do mais forte calmante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-1615965381798136274?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/1615965381798136274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=1615965381798136274' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1615965381798136274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1615965381798136274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/12/las-ultimas-monedas.html' title='Las ultimas monedas'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-8578134779018945309</id><published>2007-12-14T03:02:00.000-02:00</published><updated>2007-12-14T03:32:51.830-02:00</updated><title type='text'>O Tom nunca muda</title><content type='html'>A única coisa que me faz chorar como uma criança, não de tristeza, não de felicidade: bossa nova. Às vezes boto umas músicas de Vinícius, Tom e dá toda aquela quentura no peito. E engraçado que, mesmo eles já não estando mais entre nós, sempre consigo achar uma música nova deles, uma música menos famosa mas que tem lá seu ritmo único e uma letra gostosa de se cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estranho como isso não acontece nas músicas de hoje: a maioria das letras possui uma letra que nos penetra por algum pouco tempo para logo depois sumir na memória. Já com a bossa a coisa é mais fina. As músicas falam quase sempre de um Rio de Janeiro que já não existe mais, de amores como não se vive hoje, tem ritmos que nenhum compositor dos tempos de hoje consegue criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isso me fez concluir que na verdade esse movimento musical ímpar na música brasileira se fez único pelas circunstâncias de uma Copacabana, uma Lapa como nunca seremos capazes de ver novamente. Incrível como você é capaz de se perceber cada gota cristalizada de uma chuva parada no tempo nas mais belas músicas que representam o movimento ('Chega de Saudade', 'Wave', 'Tarde em Itapoã', entre outras); Uma chuva como não se regam os solos desse Brasil a muito tempo (hoje os altos teores de dióxido de carbono só fazem chover ácido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cultuar o passado talvez não agrade tanto aqueles que tem uma visão progressista, mas acho difícil resistir a uma bossa quando o que temos para ouvir por aí perde tanto em qualidade. Muito pelo contrário, aquela época que tanto pecou pelo excesso de lirismo nas canções talvez possa injetar um veneno qualquer que amoleça os corações de pedra de uma geração cada vez mais alheia aos próprios sentimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-8578134779018945309?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/8578134779018945309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=8578134779018945309' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8578134779018945309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8578134779018945309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/12/o-tom-nunca-muda.html' title='O Tom nunca muda'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-3621833105193012262</id><published>2007-11-24T03:46:00.000-02:00</published><updated>2007-11-24T04:02:56.348-02:00</updated><title type='text'>Os outros</title><content type='html'>Certa vez no metrô, encontrei um menino, esperto de tudo, que estava impressionado com a velocidade que o vagão atingia. Era a única figura que se destacava na multidão tão acostumada com o dia-a-dia do transporte público, fingindo que surfava enquanto os trens faziam uma curva em alta velocidade. Sentou-se ao meu lado. Fiquei inqueito e tirei os olhos do meu livro para puxar um assunto qualquer. "Gosta de ler?". Respondeu afirmativamente e até citou alguns livros preferidos. Fiquei encantado com aquele guri, que desceu na estação seguinte junto com a mãe que ralhou com ele por falar com estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele exato momento me deu um estalo de querer escrever para as crianças. Quis medir a minha infância com a dele, mas jamais saberei (os trens voltaram a se locomover) o que aquele menino esperava encontrar nos livros, ou ainda o que fazia ele gostar de ler. As perguntas brotavam aos milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquele instante eu me questionei o que eu gostava de ler e o porquê que eu lia, por exemplo, aquele livro ali, bem nas minhas mãos. A resposta não caberia aqui e vou emiti-la. Pensei se o meu porquê de ler seria em algum momento semelhante ao porquê daquele garoto. Talvez a maioria das motivações não fosse nem em parte idênticas, mas um algo em comum com certeza existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que escrever seria uma tarefa muito árdua se eu tivesse que me restrigir a um público muito restrito, como apenas aquele menino que a alguns instantes saíra com sua mãe do vagão. E eu, como quem escreve, pensei que deveria escrever despreocupado com o público que me lesse, pois o que eu escrevo é pessoal, mas é um algo que desejo compartilhar com todos, inclusive com aquele menino se algum dia ele achasse algo escrito por mim. Deveria centrar o que escrevo ao redor de mim mesmo. Deveria viver centrado ao redor de mim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-3621833105193012262?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/3621833105193012262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=3621833105193012262' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3621833105193012262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3621833105193012262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/11/os-outros.html' title='Os outros'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-3595824058543650867</id><published>2007-11-04T01:39:00.000-02:00</published><updated>2007-11-04T02:08:17.676-02:00</updated><title type='text'>Rabiscos Inconcretos</title><content type='html'>É preciso perder a liberdade para saber valorizá-la. Seguindo essa premissa, dois eus se separam em espaços diferentes da escrita e se encontram para compor a minha existência, apesar dos atropelos e confusões. E dessa vontade ambígua de querer e não querer escrever, nasceu o meu caderno, onde guarde recortes poéticos da minha vida. Torno-os indecifráveis e irreconhecíveis, ao ponto de que nem eu mesmo consigo lembrar o que me ocorreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que se você quer transmitir algo de diferente nos seus textos, o seu eu não deve importar. Há causos e causos, cada pessoa vive e tem experiências de vida diversas. Escrever pra mim é o ponto de encontro do meu sentimento com o sentimento do todo. É a generalização das idéias, provocação das discussões. Acredito que apenas somos capazes de entender quem somos e definir pontos de vista se pararmos para pensar em tudo que fazemos e tudo que os outros fazem. A literatura pode ser uma mentira do ponto de vista de que grande parte das coisas que se escreve é ficção. Mas ainda assim, é possível aprender muita coisa com personagens, situação dramáticas e literárias. Os contos que líamos quando crianças pregavam bem isso, os livros e textos literários de hoje, com nós crescidos, não é diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à liberdade: no meu caderno tenho liberdade, principalmente para errar. Tenho uma cobrança pessoal muito forte, e às vezes sinto que isso inibe alguns textos de saírem. Mas lá eu posso fazer qualquer coisa, posso tentar, posso errar, posso mudar, tudo simples como a borracha e o lápis. Se por um lado aqui tenho toda essa pressão pessoal por um algo de qualidade, lá é onde eu relaxo o braço e as idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntando isso, forma-se o caderno de idéias pré-maturas e sentimentos confusos. Mesmo com essas características tão peculiares, às vezes me sinto mais à vontade de escrever lá do que aqui. Talvez por essa cobrança lá ser atenuada. Mas ainda assim, gosto de manter comum no blog e no meu caderno esse aspecto literário e confuso. Se por ventura ele parar em mãos erradas, vão se dar conta de que, talvez, a vida da pessoa ali descrita não é a minha, mas de um outro alguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-3595824058543650867?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/3595824058543650867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=3595824058543650867' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3595824058543650867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3595824058543650867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/11/rabiscos-inconcretos.html' title='Rabiscos Inconcretos'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-5072606886570383332</id><published>2007-10-31T01:13:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T01:26:40.376-02:00</updated><title type='text'>Todas as cartas de amor são ridículas</title><content type='html'>Foi relendo texto passados, rascunhos e idéias em forma de semente que eu fui dar de cara com uma "carta" muito especial. Quando escrevo um texto lírico, tenho o objetivo de causar um baque no leitor, despertá-lo para algo que acredito ser verdadeiro. E curiosamente, reler essa carta direcionada (cujo o nome da interlocutora não importa) fez com que eu caísse numa armadilha feita por mim mesmo. E para compartilhar esse momento tão sutil que tive, eis o texto, do "rascunho" para o blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;Declaração&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Que a minha loucura seja perdoada&lt;br /&gt;porque metade de mim é amor&lt;br /&gt;e a outra metade também.&lt;br /&gt;Ferreira Gullar - Metade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu preciso te confessar que desde que meu peito experimentou aquela inquietude, eu não tenho tido meu sossego. Se me pego parado, penso em você. Eu, que até a pouco tempo, me achava cético para os assuntos do coração de repente surpreendido, pego no contra-pé. Não esperava as suas palavras, não esperava ler a palavra amor sob um contexto tão confuso, tão complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Onde você mora?" "Eu moro no Paraíso, perto daquela igreja, sabe?" "Eu nunca estive lá, mas minha vida inteira é isso, um querer estar no Paraíso e sair desse lugar." - pensei, mas não falei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu passei por onde você mora. Tomei um café demorado e me deixei estar lá. Eu amo a Avenida Paulista, é um lugar onde me sinto à vontade como um paulistano, lá meu coração bate mais alto. Mas minha âncora no meu lugar era um pensamento perdido de alguém que estava longe. Saudade. Se dependesse de mim, tomaria café até você voltar. Pensei na sua companhia ali também, dividindo aquele espaço que se tornara tão sagrado para mim, uma conversa despropositada falando da vida, do que já se viveu. Paguei a conta e sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada passo de volta para casa me remetia a um verso, uma poesia que não tinha por onde sair e morria em mim mesmo. Eu ouvia o peito um pouco mais acelerado e era a sua lembrança, de um algo que a gente não havia vivido ainda. E lá se ia meu sossego, num ônibus de São Paulo, rumo a minha casa. Meus olhos ganharam um viés que só sabe te enxergar e te lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, aqui, nesse escrito, eu sou mais um coração do que duas mãos escrevendo. Não sei o que o futuro nos aguarda, nem sei se de repente você é a pessoa certa, a pessoa que eu aguardo, mas naquela nossa conversa você ganhou mais do que meu respeito apenas. É necessário respeito aos loucos, aqueles que vivem além da lógica, se é que ela existe no dia-a-dia. Você me mostrou mais do que apenas um olhar e uma demonstração de cuidado com o seu medo de me magoar, e digo que aos poucos você está me ganhando. Balanço agora uma chave na sua frente e digo "se quiseres meu coração, a casa é sua e pode entrar". Já não tenho tanto medo da solidão, e por isso mesmo não tenho medo de quebrar a cara em outro amor. Independente do que será do amanhã, se um sim ou se um não (o tempo dirá), saiba que você conquistou para sempre um espaço no meu coração. Sou uma promessa: enquanto não houver uma resposta, sou teu. Porque o teu amor "comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-5072606886570383332?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/5072606886570383332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=5072606886570383332' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/5072606886570383332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/5072606886570383332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/10/todas-as-cartas-de-amor-so-ridculas.html' title='Todas as cartas de amor são ridículas'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-90389953678200451</id><published>2007-10-22T13:55:00.000-02:00</published><updated>2007-10-22T14:35:32.969-02:00</updated><title type='text'>Cumpleaños</title><content type='html'>Como sempre, aquele famoso texto de transição do hoje e do 20 de outubro do ano passado. A motivação para escrever é justamente poder análizar tudo o que se passa de um ano para o outro, poder quantificar e qualicar o que mudou em minha vida. Pensamos: passou tão rápido. Mas é fato que nessa passagem rápida de um ano para o outro, temos 365 dias vividos com maior ou menor intensidade. É mais ou menos isso que quero recuperar nessas linhas: os picos de felicidade e tristeza e fazer toda uma análise desse gráfico complicado e irregular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso descrever esse período claramente como tempos em que deixei a escrita de lado. Não por falta de paixão, mesmo porque ficar assim, de frente para o computador escrevendo sobre uma besteira qualquer simplesmente me apaixona. Mas dei espaço para coisas novas aparecerem e acontecerem. Acho fundamental para quem escreve ter repertório sobre o que escreve, e isso me fez muita falta em certos pontos da minha vida. Gosto de fantasiar, mas preciso de um toque de veracidade no que escrevo, principalmente quando o objetivo é escrever uma verdade de uma forma diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci muitas pessoas. Integrei-me e me entreguei totalmente a equipe de atletismo da faculdade, que virou minha paixão por um bom tempo. Ainda na faculdade, conheci os bixos desse ano. Pena não conseguir conversar tanto com eles quanto eu gostaria. No trabalho voluntário, conheci muitas e muitas pessoas. E em tão pouco tempo, todas essas pessoas ganharam uma notoriedade maior e menor. Nunca esquecer dos meus bons amigos, que tiveram de brigar bravamente dentro do meu coração para conseguir um espaço na minha agenda apertada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que talvez o grande destaque dessa fase de transição tenha sido justamente o trabalho voluntário. Sempre tive uma vontade imensa de mudar o mundo para melhor, em fazer algo diferente do famoso discurso de que devemos cuidar do mundo em que vivemos. E foi nessas várias experiências ao longo desses meus 22 anos que eu pude perceber o quão gratificante é para si mesmo poder ajudar o outro e o quão agraciados nós somos, com as nossas vidas que por vezes achamos medíocres. Foi ajudando o outro que pude rever valores e colocar em prática os valores que foram forjados ao longo do tempo, baseados no princípio de coletividade e responsabilidade social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No coração não foi o ano mais feliz. Senti-me mais covarde. Não fui capaz de grandes loucuras de amor, principalmente porque fiquei cada vez mais decepcionado com o mundo. Nasci com um coração de um século ou mais de atraso. Penso muito a respeito do romantismo tão particular em mim e tento imaginar se serei feliz (de novo) com alguém ao meu lado. Fico chateado com as pessoas que me cercam e com a maneira que usam seus corações. Fui testemunha indireta de traições, separações, brigas. Fica difícil imaginar se aos 23 conseguirei ser mais feliz nesse quesito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saldo dessa conturbada entrada nos 23 anos de vida é mais do que positiva. Senti-me mais vivo, senti-me mais feliz e aprendi, sobretudo, a controlar um pouco mais meu coração sobre as mais diversas questões. Tenho medo de ter ficado um pouco mais alheio a um monte de coisas que eram me antes preocupações fundamentais, mas acredito que tudo isso faz parte do imutável processo de amadurecimento. E a cada ano que passo, percebo que as brincadeiras ficam cada vez mais de lado e a responsabilidade e o aprendizado se tornam nossas principais companheiras. Que venham os vinte e três.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-90389953678200451?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/90389953678200451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=90389953678200451' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/90389953678200451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/90389953678200451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/10/cumpleaos.html' title='Cumpleaños'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-8749556321955534894</id><published>2007-10-09T17:58:00.001-03:00</published><updated>2008-08-26T03:40:19.228-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retrato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='micro-conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martírio'/><title type='text'>Retrato III</title><content type='html'>Na calada da noite, os homens rastejavam sobre o mato alto, trajando uniformes camuflados manchados de terra, munidos de armas pesadas. De repente, um pedido de silêncio mais a frente. A caçada tornara-se mais fácil. As ordens eram de cercar o acampamento e dominar todos. Rápidos como os disparos que se seguiram, os homens renderam todos no acampamento. Alguns foram mortos ali mesmo. Um deles gritou. Foi levado a uma escola nas redondezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogaram-no numa sala e o mantiveram preso. Alguns soldados ficaram impressionados quando foi feita a confirmação da identidade do homem. Sentiram-se orgulhosos e comentaram com alguns passantes que faziam seu caminho para o trabalho no campo. Todos o observavam do lado de fora da escola por uma janela, a uma distância segura de sua periculosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas do lado de dentro daquela sala de aula, o capturado não fazia nada a não ser mostrar resignação de bicho domado. Sabia bem seu destino e enchergava, claro como a água, que toda a sua luta até ali tinha valido a pena. Fatalmente seria pego, uma hora ou outra. Uma criança, que tinha sido erguida pela mãe para que pudesse ver o homem dentro da sala, olhou-o, barbudo e sujo de muito tempo. Ele levantou seu olhar, que foi de encontro ao olhos do garoto que o viam impressionados. Ele apontou para uma parede com um dos dedos, mostrando um alfabeto preso num varal improvisado na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que comandava a situação toda pediu aos trabalhadores para dispersarem o local. Comentou algo com os homens todos na porta "o presidente deu ordens, podem escolher entre vocês quem fará o serviço". Houve uma discussão impregnada de orgulho e barulho por parte de alguns deles. Depois de um tempo, entraram na sala em silêncio. O homem se levantou como quem iria receber uma sentença já sabida e dirigiu a palavra aos homens armados "Eu sei que vocês estão aqui para me matar. Atirem, covardes, vocês vão matar apenas um homem.". Sem mais palavras, os homens apontaram as armas e acertaram-lhe tiros nas pernas e, logo em seguida, no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram uma risada leve, como se tivessem livrado o mundo de um grande mau. De espólio ficaram seus pertences que foram repartidos entre seus executores, com os mais valiosos para o comandante da operação triunfante. Com medo da lenda que cercava aquele homem martirizado,  cortaram-lhe as mãos e levaram seu corpo algum tempo depois para exibir a imprensa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;killed in action&lt;/span&gt;. E fotógrafos famintos fusilavam seu corpo com flashes de luz ao lado de homens fardados cheios de orgulho, como pescadores que pegaram o mais lendário dos peixes. Mas mal sabiam eles que aquele era apenas um peixe, o mar ao longe batia e rebatia com o barulho de ondas indiferentes como a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-8749556321955534894?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/8749556321955534894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=8749556321955534894' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8749556321955534894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8749556321955534894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/10/retrato-iii.html' title='Retrato III'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-5432800319980294862</id><published>2007-10-08T00:18:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T01:10:45.255-03:00</updated><title type='text'>À procura do estilo perfeito</title><content type='html'>É necessário de tempos em tempos revisitar algumas das nossas paixões para entender o que nos prende tão profundamente ao que amamos de verdade. E embora meio abandonado o hábito, não pude resistir à pergunta de uma certa &lt;a href="http://sonhos-extraviados.blogspot.com/2007/10/mania-de-escrever.html"&gt;Daniela&lt;/a&gt; sobre o escrever e me senti obrigado a remontar épocas remotas que remontam uma procura por uma identidade como escritor e poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muitas motivações para escrever, tudo varia com o momento. Há textos que são retratos do meu dia-a-dia, ou um fato surpreendentemente novo o qual eu faço questão de escrever para mais tarde me lembrar. Escondo meu nome em meio a uma situação, em personagens e cenários fictícios, mas que remontam no seu âmago uma história que, ao repassar os olhos em cada palavra, remonte um momento especial para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo quando me bate uma idéia. Levam alguns livros, poemas, contos e muita rotina (que tem todo o seu quê de poesia também) até que algo bom de verdade apareça. Gosto de ser criativo e original nas minhas idéias, fazer com que os meus poucos leitores (mas muito especiais!) se deparem com algo surpreendente que os encante e provoque uma discussão sobre aquilo que se acabou de ler, mesmo que subconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poemas, hoje tão raros, escrevo quase sempre pensando em um amor distante que fica quase sempre na distância. Mas nesses poemas, posso me sentir mais perto de quem amo e acreditar que dentro de mim pude cultuar algo que é verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A base de tudo talvez remonte o tema de uma procura por estilo. Escrevo contantemente, em várias formas, para tentar adquirir uma identidade literária. Até algum tempo atrás eu me julgava um conjunto desconexo de recortes de estilo. Já hoje, percebo que tenho algo mais sólido montado sob a base de mim mesmo. Escrever representa para mim, portanto, mas do que um simples ato ou despretenciosa verborragia: é uma maneira de me conhecer melhor como ser humano e, ao mesmo tempo, transmitir a minha visão de mundo impregnada com poesia, na qual acredito de maneira tão forte. Mas essa visão já é uma outra história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-5432800319980294862?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/5432800319980294862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=5432800319980294862' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/5432800319980294862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/5432800319980294862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/10/procura-do-estilo-perfeito.html' title='À procura do estilo perfeito'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-1858745743827670758</id><published>2007-08-08T23:28:00.000-03:00</published><updated>2007-08-08T23:51:56.605-03:00</updated><title type='text'>Uísque e cheiro de cravo</title><content type='html'>Perdeu o compasso da música por um instante, mas retomou o ritmo tão rápido que mal se percebeu. Já estava acostumado com uma coisa qualquer atrapalhando seu pensamento bem no meio da música. Era a garçonete que passava com uma barra de saia curta demais, uma risada um pouco mais alta do lado de fora do bar, as buzinas irritadas da Avenida Paulista. Mas os ensaios contínuos nos intervalos entre a chegada do trabalho e o jantar faziam dele e seu baixo uma única entidade que resoava em todo bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escolha do instrumento não fora casual. Além, é claro, do charme que o instrumento em si possui, a postura com que o empunhava, o baixo para ele é sobretudo o tom quase subliminar da música. As pessoas no bar ouvem o conjunto a tocar e sentem bem no fundo do ouvido aquela levada de tom que até parece um eco, o último ruído da música. Esse era o músico: não gostava de se sentir percebido diretamente, e sim pela dica do seu instrumento. Era uma maneira de se exibir subentendido, mesmo sem cantar ou fazer qualquer pose que o estilo cobrasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naquele dia ele errava mais do que o usual. Os companheiros davam puxadas de lado para beber um copo qualquer da bebida de sua preferência e o questionavam "que que tá acontecendo companheiro?". Era uma moça que ouvia atentamente o conjunto numa mesa próxima ao canto esquerdo de frente pro palco. Estavam ela e mais três amigas que se entretinham com uma conversa qualquer. Só ela olhava para o palco improvisado próximo a uma das paredes do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errar para ele era inquestionável, mas um breve desvio de olhar fazia ele tocar uma nota errada, perder o tom ou soltar a corda antes da hora. Não queria errar justamente porque queria que seu som chegasse até ela e ela o percebesse de sua maneira única. Mas quanto mais pensava nisso, mais errava e mais bebericava do seu copo de uísque com três pedras de gelo já meio derretidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da apresentação, soltou o colarinho da camisa como quem se desprende de um nó de corda na forca e respirou. Ela aplaudia e puxou logo em seguida, de maneira enigmática, um cravo branco de algum lugar que seus olhos não alcançavam. Jogou-o ao palco na direção do baixista já meio zonzo depois de tanta bebida. O homem estendeu o braço em direção a pegá-lo, mas como uma miragem a flor sumiu do palco. Virou-se para a mesa onde estivera a mocinha e lá já não estava mais, talvez nunca estivesse. Vexado, tomou um táxi e foi para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-1858745743827670758?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/1858745743827670758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=1858745743827670758' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1858745743827670758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1858745743827670758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/08/usque-e-cheiro-de-cravo.html' title='Uísque e cheiro de cravo'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-2492753433877257866</id><published>2007-07-29T04:16:00.000-03:00</published><updated>2007-07-29T04:36:11.029-03:00</updated><title type='text'>Desenhos na parede</title><content type='html'>O caminho que tomamos muitas vezes diverge daquilo que determinamos como objetivo. E isso vale para a vida como um todo, todas as coisas. Mas aí, você se pega qualquer dia desses e percebe que uma mudança surgiu, como um nódulo sob a pele, um câncer. As letras deixaram de ter aquele gosto de prato favorito em dia de fome e tanto a leitura como a escrita foram terrivelmente abaladas por um marasmo quase preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma conclusão meio precipitada: o amor e a escrita vão juntos, de mãos dadas. Será? Talvez a falta de adrenalina e taquicardia tenham feito as palavras chatas e pouco emocionantes, como os amores que andam em falta. A vida anda mas o amor pára. E causa esse desconforto porque a vida vai bem, obrigado. Parece que ainda há inspiração (quantos textos até hoje não imploram para serem escritos?) mas falta ação: faltam dedos dedilhando um teclado sem música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu vivo então? Simples: colho impressões que me são legadas. Não há meios audiovisuais existentes que me permitam compartilhar tanta coisa com vocês, sempre o fiz pelas palavras mas essas me faltam (na verdade eu ando em falta com elas). Acredito que minha vida tem enriquecido de sobremaneira que fiquei extasiado com tantas coisas que aconteceram. É um misto de acontecimentos que inevitavelmente provocam uma reflexão e exigem ser escritos. No entanto, essa disfarçada apatia se esconde por trás de desenhos pintados em uma caverna; são símbolos que mais tarde, quando a imaginação for buscar, terão se transfigurado em borboletas que por si só justificam sua existência e dispensam explicações ou traduções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-2492753433877257866?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/2492753433877257866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=2492753433877257866' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2492753433877257866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2492753433877257866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/07/desenhos-na-parede.html' title='Desenhos na parede'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-637756349393960003</id><published>2007-06-16T01:20:00.000-03:00</published><updated>2007-06-16T01:51:42.341-03:00</updated><title type='text'>Falta de memória</title><content type='html'>Acho que o ponto de partida mais adequado seria citar a conversa entre eu e minha mãe conversando sobre a diferença de gerações, a minha e a dela. Minha mãe, com toda a mais sincera naturalidade, afirmou que é difícil entender os valores dos jovens de hoje levando em conta que na época em que ela era jovem (e não faz tanto tempo assim) vários padrões éticos e comportamentais eram seguidos e hoje eles estão deturpados. Eu concordei com ela, mas fiz questão de defender a minha geração: os valores mudam com o tempo. Até concordei que vários comportamentos hoje tendem ao desrespeito, infelizmente, mas que isso nada mais era do que uma conseqüência do ritmo alucinante ao qual nós fomos submetidos. Hoje tudo precisa ser rápido, instantâneo: a comunicação, a comida, a leitura, a aquisição de informações, etc. O impacto dessa rotina é visível hoje nos jovens da minha geração e dos mais novos. Temos menos paciência para lidar com coisas complicadas, crianças com vontade de se tornar adolecentes (namoros, transas, drogas) e falta de memória, dentre outros motivos que podem ser facilmente minados do contexto todo desse parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão fundamental: falta de memória. Não sei se isso acontece com vocês, mas eu, por exemplo, admito ter uma memória fraca. Claro que alguns fatos marcantes eu acabo lembrando sempre (são lembrados pelo fato de serem marcantes), mas algumas lembranças de passado recente somem na minha cabeça. E isso realmente me perturbou quando percebi que cheguei a esquecer nomes e rostos de antigos colegas de colégio/escola, viagens, até mesmo a própria rotina de alguns tempos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tudo isso pode ser perfeitamente natural (afinal acho difícil se lembrar de tudo em uma vida), mas acredito seriamente em alguma correlação com esse ritmo de vida alucinante que nós temos hoje e essa perda de memória: como precisamos absorver conhecimento num ritmo muito rápido, nossa memória acaba não fazendo um mapeamento das nossas lembranças e memórias são sobrepostas. Claro, um neurologista talvez poderia explicar melhor, mas acho que é isso que acontece. E fico preocupado com isso, pois temos um sistema de vida que exige que aprendamos rápido justamente para que tenhamos capacidade de termos bons momentos. Vulgo, é um sistema parcialmente auto-destrutivo, onde o que restam são lembranças muito especiais que tenham marcado nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria muito de acreditar que algum dia o ser humano tomaria consciência da necessidade de uma rotina menos massante para aumentar substanciosamente a sua qualidade de vida. Mas não vejo um momento preciso em que isso pudesse ocorrer: corremos cada vez mais e nossa incansável maratona de vida consome cada vez mais o planeta. Já tive a perspectiva de que um dia eu teria tempo parar respirar da minha rotina e hoje a dúvida que me atormenta é outra: algum dia, enfim, pararemos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-637756349393960003?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/637756349393960003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=637756349393960003' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/637756349393960003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/637756349393960003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/06/falta-de-memria.html' title='Falta de memória'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-3248750892680949298</id><published>2007-06-09T02:51:00.000-03:00</published><updated>2007-06-09T03:11:37.344-03:00</updated><title type='text'>Cadê?</title><content type='html'>É fato que às vezes quem escrevi sempre pode sumir. Talvez seja o meu caso, mas eu analizaria o quadro de um ponto de vista diferente: temas nunca pararam de surgir na minha cabeça. As coisas pequenas principalmente, essa série de acontecimentos, objetos, sentimentos que alimentam textos a rodo nesse e em outros blogs que raramente são reparadas por uma pessoa "comum". Escrever de certa maneira é mostrar a existência desses diversos lados da moeda (muito mais do que dois, mas comumente separados por verdade e mentira, vai da crença de cada um).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mudanças radicais insurgiram na minha vida nesses últimos tempos: o lado acadêmico, no qual eu entrei com força total esse semestre e já vejo sua força quase nula para mover uma montanha de coisas para fazer, estabelecimento de novas metas no âmbito de trabalho e acadêmico também, início do meu estágio, que me garantiu o dueto estabilidade financeira/total falta de tempo, e isso tudo associada a velha amiga depressão que já acompanha os ossos de João há algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi essa semana que talvez tenha surgido um começo de mudança. Larguei tanta coisa de lado para viver algumas coisas mais intensamente, que de repente a saudade de velhos amigos, de velhos hábitos e mesmo da periódica digitação de um texto nesse espaço me causaram um vazio imenso. Perguntei-me de maneira bem sincera "será que vou parar de escrever depois de tanto tempo?". A perspectiva de uma resposta me deixou vexado. Já não tenho mais aquele tempo todo para a literatura. Saudades até de carregar um Drummond embaixo do braço (há quem diga que já havia virado meu desodorante), das leituras corridas e quase embaralhadas no ônibus. Era esse momento leve que me dava sonhos e esboços de criatividade longe da minha correria. Hoje sou um paulistano até o nervo que puxa na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, é preciso ir contra isso tudo. Já tive lapsos de tempo muito grandes sem escrever uma única linha que não fosse um trabalho ou coisa que o valha. Decidi ficar no mundo das letras e tentar retomar, não o ritmo que anda cada vez mais agitado, um pequeno pedaço de estilo. Esse sim foi trabalhado a sangue nos últimos anos e não pode morrer. É preciso escrever sobre qualquer coisa, mesmo uma mentirinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-3248750892680949298?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/3248750892680949298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=3248750892680949298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3248750892680949298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/3248750892680949298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/06/cad.html' title='Cadê?'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-4495454574446860269</id><published>2007-05-02T01:23:00.000-03:00</published><updated>2007-05-08T02:31:21.656-03:00</updated><title type='text'>Plágio</title><content type='html'>Era numa livraria localizada em um bairro luxuoso de São Paulo que o mais recente livro de um emergente escritor estava sendo lançado, com direito a champagne, convidados engravatados e sessão de autógrafos. A crítica, que teve acesso a alguns volumes da mais recente publicação, encheram páginas e mais páginas de elogios e adjetivos extravagantes para descrever a nova obra e fizeram comparações desmedidas sobre a primazia de seu estilo com vários autores renomados da literatura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com toda pompa possível, no clímax da festa quando todos estavam com as barrigas fartas de canapés e as conversas giravam em torno de seus próprios rabos, o novíssimo escritor (não passava dos 30 anos e essa já era sua segunda obra publicada) pediu a licença de todos os presentes para desfiar no ouvido de todos um discurso previamente preparado. O cujo do discurso desenterrou as mais mofadas palavras do dicionário e chavões do século passado e do anterior a este para agradecer a presença de todos, às criticas dos críticos, à editora pelo destemido ato de apostar num escritor tão jovem e inexperiente (conforme a sua modéstia) e aos diversos familiares e amigos que sempre o apoiaram, inclusive nos momentos de dificuldade. A palavra se fez vencedora, segundo ele próprio, frase a qual fechou o discurso com aplausos da distinta burguesia paulistana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais completa falta do que fazer me leva vez ou outra a ir a uma livraria. Não sem motivo: vou namorar os mesmos livros que, por falta de dinheiro, não posso ainda comprar. Faço sombra na e tiro o pó da estante (note o singular) de livros de poesia. Mas isso nunca me furtou em ver os livros &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pop&lt;/span&gt;, aqueles que tem tiragens a perder de vista, de autores comerciais que podem não primar pelo seu estilo, mas sabem agradar à maioria da população. Passo os olhos em títulos curiosos, em obras primas de trabalho gráfico (afinal, a capa também é parte do livro) e finalmente nos imponentes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;best-sellers&lt;/span&gt;, ou ainda, "o que os leitores dessa livraria estão lendo". Por um gesto um tanto inexplicável, tomei em minhas mãos o livro daquele recentemente consagrado escritor brasileiro. Talvez o fato dele estar na mesma faixa etária que eu tenha me dado um encanto especial e uma vã esperança de algum dia estar no mesmo patamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tamanha surpresa me acometeu o fato de perceber que lá estava, com título e tudo, um conto escrito por mim. Não era o único, mas não eram todos também. Ainda assim, minha revolta cegou meus olhos de raiva por ver, bem na minha frente, meu sonho realizado sob o nome de outra pessoa. Minha possessão me fez atirar o livro com tudo no chão e sair batendo o pé da livraria, que afinal não tinha culpa nenhuma. Liguei para a editora buscando informações. "Alô? Alô eu sou um escritor amador e gostaria de dizer que tive textos meus plagiados por um autor que publicou um livro aí nessa editora. Ah, só um minutinho (música automática de telemarketing)". Desisti no décimo-quinto minuto de espera mas não desisti de fazer justiça. Fui pessoalmente até a editora, mais de uma vez, buscando informações. Entrei em contato com a acessoria do plagiador mas não obtive retorno. Sem dúvidas e sem mais possibilidades, entrei com um advogado para requerer a autoria dos meus textos. A autoria dos meus textos. A possessividade que eu possuo por eles me deixa doente, a possibilidade de alguém se consagrar às custas deles me deixa pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, após a minha massante rotina, recebo um telefonema. "Alô? É você quem está me processando por plágio, certo? É você então? Sim, sou eu. Sei que o processo que você abriu não vai dar em nada e por isso mesmo resolvi ter uma conversa contigo. Mas você sabe que estou certo? Aqueles textos são meus! Eu os publiquei em meu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blog&lt;/span&gt;, eu os escrevi! Calma lá, você os escreveu num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blog&lt;/span&gt;, mas não há nenhum documento que garanta a autenticidade de seus textos. E você acha que vai conseguir? Vou, porque agora tenho dinheiro, posso fazer o que estiver ao meu alcance para manter esses textos sob a minha autoria. Você é nojento seu filho da p. Calma lá, eu não fiz nada demais. É raro achar alguma coisa literária nesses sites da internet. A maior parte das coisas são pedaços soltos de poesia ou algum texto bem fraco. Mas no seu caso foi diferente: gostei do que eu li. Sei que a chance de algum dia algum de vocês, escritores de acaso, publicarem alguma coisa é praticamente nula. Por isso mesmo tomei a liberdade de pegar emprestado alguns textos seus. Quer dizer que você pegou texto de outras pessoas também? Talvez sim, talvez não. Se sim, a maior parte dessas pessoas nem vai desconfiar: você foi um caso bem à parte. Não esperava que isso acontecesse. E que respaldo tem um escritor que não escreve aquilo que afirma escrever? Importa como eu cheguei aonde estou? Poderia afirmar que era um catador de lixo que isso só seria mais mídia para mim. As pessoas não se importam com o que o levou a escrever ou com o porquê os escritores continuam escrevendo, elas só sabem da sede delas próprias de ler alguma coisa que as agrade ou mexa com os seus sentidos. Os leitores são uns egoístas. Talvez algo disso tudo que você tenha dito faça sentido, mas ainda assim nada justifica o fato de você ter roubado a autoria dos meus textos. Pelo menos assim você pode vê-los publicados uma vez. Não com o seu nome, é verdade, mas ainda assim você viu seus contos impressos em páginas, papel e tinta. Não te dá um certo orgulho pessoal, um certo regozijo de ver naquelas páginas as suas letras escritas? Sim, de fato, mas quero vê-las com o meu nome e não o seu. É algo com o qual você terá de se conformar. Essa ligação, caso não tenha percebido, é um forte delato a meu favor. Pagarei bem para que essas palavras não venham a público. Passar bem.".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-4495454574446860269?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/4495454574446860269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=4495454574446860269' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4495454574446860269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4495454574446860269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/05/plgio.html' title='Plágio'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-2536212183188649078</id><published>2007-04-28T03:16:00.000-03:00</published><updated>2007-04-28T03:21:42.330-03:00</updated><title type='text'>Clichê</title><content type='html'>Se eu pudesse juntar toda a minha inveja de modo a condensá-la em moeda de troca para algo que minha inveja jamais seria capaz de alcançar com seus magros dedos, com certeza seria a composição dessa música:&lt;br /&gt;&lt;b class="titulo2"&gt;&lt;br /&gt;Chega de saudade&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;i class="autor"&gt;Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Vai, minha tristeza&lt;br /&gt;E diz a ela que sem ela não pode ser&lt;br /&gt;Diz-lhe numa prece&lt;br /&gt;Que ela regresse&lt;br /&gt;Porque eu não posso mais sofrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de saudade&lt;br /&gt;A realidade é que sem ela&lt;br /&gt;Não há paz, não há beleza&lt;br /&gt;É só tristeza e a melancolia&lt;br /&gt;Que não sai de mim&lt;br /&gt;Não sai de mim&lt;br /&gt;Não sai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se ela voltar&lt;br /&gt;Se ela voltar&lt;br /&gt;Que coisa linda&lt;br /&gt;Que coisa louca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois há menos peixinhos a nadar no mar&lt;br /&gt;Do que os beijinhos que eu darei na sua boca&lt;br /&gt;Dentro dos meus braços os abraços&lt;br /&gt;Hão de ser milhões de abraços&lt;br /&gt;Apertado assim, colado assim, calado assim,&lt;br /&gt;Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim&lt;br /&gt;Que é pra acabar com esse negócio&lt;br /&gt;De você viver sem mim&lt;br /&gt;Não quero mais esse negócio&lt;br /&gt;De você longe de mim...&lt;br /&gt;Vamos deixar desse negócio&lt;br /&gt;De você viver sem mim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-2536212183188649078?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/2536212183188649078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=2536212183188649078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2536212183188649078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2536212183188649078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/04/clich.html' title='Clichê'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-7743383503824312696</id><published>2007-04-20T01:40:00.000-03:00</published><updated>2007-04-20T01:41:44.070-03:00</updated><title type='text'>Manifestante</title><content type='html'>Vai o manifestante&lt;br /&gt;Fazer exame de corpo de delito&lt;br /&gt;Na polícia&lt;br /&gt;Após ser agredido&lt;br /&gt;Pelo policial?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-7743383503824312696?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/7743383503824312696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=7743383503824312696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7743383503824312696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7743383503824312696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/04/manifestante.html' title='Manifestante'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-6449202764660001064</id><published>2007-04-12T01:03:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T08:08:51.593-03:00</updated><title type='text'>Voluntário</title><content type='html'>(inserir citação aqui)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profira em voz alta as palavras "trabalho voluntário" e concentre-se nelas até o final do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui convidado para participar da &lt;a href="http://www.abeuni.org.br"&gt;Abeuni&lt;/a&gt; pensei na possibilidade de fazer algo que a muito tempo eu cultivava dentro de mim. Já tive claras manifestações desse sentimento inominável que move o coração de quem dedica parte da sua vida em prol do outro através de outras ações que ao longo da minha vida eu tomei parte. A coisa toda do trabalho era nebulosa: mal sabia exatamente o papel que eu ia exercer. Tinha uma noção muito distante do que era de fato o trabalho voluntário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E passaram quatro dias. Sono, cansaço, fome às vezes e uma sensação diferente. Foi uma das primeiras manifestações sinceras de coletivo que eu presenciei em toda a minha vida, com pessoas que não se furtavam do trabalho para que o todo fosse realizado. Não sei explicar muito bem com palavras o que foi presenciar a pobreza, não apenas de recursos financeiros, mas sim uma carência de informação e atenção. A parte segregada pelos governos e mesmo pela sociedade necessita de atenção, qualquer dez minutos de conversa fiada ou duas horas para se ouvir os problemas da vida. Precisa de um abraço, qualquer coisa que os faça esquecer por uma fração de dia que a vida não tem tanto colorido quanto os lápises de cor e desenhos pendurados na parede. Precisa saber o que nós sabemos e esquecemos por não achar importante, esse tanto escondido nas desdenhosas aulas de biologia, geografia, história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As brincadeiras nos fazem lembrar do papel que exercemos, essa minúscula parte que faz toda a diferença no resultado final. Brincamos para espantar o sono, lembrar que sorrir é fundamental, principalmente para quem a maior parte do tempo não tem motivos para sorrir. Cantamos a tradição de gerações passadas para lembrar que tudo isso só existe por conta da iniciativa dos que vieram antes de nós. Agradecemos, todos. Choramos (alguns só depois, quando chegaram em casa) a tristeza de quem talvez chore todos os dias e a inevitável despedida de quem já teve seu papel cumprido, cada qual em seu posto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou na boca esse gosto, esse vício, a vontade de gritar tudo de novo. Os olhos repassam imagens e vídeos de impressões e lembranças. A indignação ganha novo sentido, a justiça (a falta dela) ganha uma personificação esquelética e mórbida, real. Eu, criança insistente em mudar o mundo, percebi que mais que consciência política é muito pouco perto desse muito feito em pouco tempo. Os livros de tratados políticos e teorias tornam-se enfadonhos e descartáveis. Sobram os olhares famintos por mudança recheando morros, casas e favelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga "trabalho voluntário" novamente e tente sentir algo. Com palavras fica difícil, mas um resíduo de sentimento se depositou nesse texto e eu espero que você o leve para casa e durma com ele para ter um novo motivo para chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-6449202764660001064?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/6449202764660001064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=6449202764660001064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6449202764660001064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6449202764660001064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/04/voluntrio.html' title='Voluntário'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-6768296207112360604</id><published>2007-03-26T13:56:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T13:57:22.915-03:00</updated><title type='text'>Viajar</title><content type='html'>Acho a descrição um dos mais ingratos estilos de texto possíveis. Isso porque definir em palavras qualquer coisa, cenário, sentimento ou mesmo uma palavra da língua portuguesa é algo que exige minúcia de quem escreve, quase como se fosse necessário incorporar o tema e buscar em si mesmo qualquer coisa que exprima exatamente (ou da melhor maneira possível) aquilo que se deseje fazer por conhecer. E o verbo viajar tornou-se exatamente isso: uma palavra difícil de se definir sem se fazer citar exemplos palpáveis e ou experiências pessoais. E é nesse clima de bossa, de uma saudade da própria saudade, dos tempos em que se tinha algo/alguém a se esperar, que eu descreverei o intransitivo verbo viajar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar, de verdade mesmo, é transportar-se para outro lugar. Não importa se você quer realmente ou não ir para esse lugar, fato é que você vai se surpreender com as milhares de variáveis novas que se apresentarão diante dos seus olhos e com as quais você não contava quando citou em uma conversa passageira o nome daquele lugar ou cidade. Tudo é diferente: as ruas, as construções, a língua, as pessoas, a mão da rua. As pessoas passam despreocupadas no seu dia-a-dia e você se impressiona com o grau de novidade que aquilo é para você e que é indiferença para quem passou a vida inteira ali naquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar tem outro cheiro (que às vezes é cheiro nenhum, depende de onde você veio) e o céu tem mais estrelas. As nuvens são reproduções de quadros de campos invertidos, com plantações de algodão e grama azul meio-dia. Os carros serão muito mais novos e modernos ou surpreendetemente mais velhos, mas todos andam e isso é o que importa. As pessoas andam sem pressa alguma. É estranho conceber que as pessoas andam até o trabalho ou de bicicleta ou de carona com um vizinho. Aliás as pessoas são muito mais educadas ou mais duras; não falta educação, mas impessoalidade com que se trata um desconhecido dá o charme ao lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ônibus, carro, barco, é aquele mato baixo que corre as beiradas, muito rápido, muito devagar. De avião é aquele medo da altura e a insípida comida servida pelas aeromoças de saia. Aliás saia é o que não falta onde se está: as mulheres tem um estilo diferente, nada daquela mistura danada que tem no Brasil. É raro ter o corpo moreno das brasileiras, mas as mulheres de todo o globo possuem um charme pessoal e impossível de migrar com a pessoa. As praias onde elas se deitam, ou passeiam a pé, são de areia branca e um barulho de mar que por si só fala muito sobre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As noites tem mais lua, lua de prata, e tudo é tão mais sedutor do que a mesmisse de todos os dias onde se vive. Os preços mudam de acordo com o câmbio, a comida tem um tempero diferente. A globalização propicia muita coisa, mas a comida daquele lugar, só naquele lugar tem aquele "a mais". As bebidas podem mudar de rótulo, nome, mas a mão que mistura a bebida que você vai beber são de lá, daquele lugar. O colchão é de hotel, quando se tem. O chão se torna mais macio próximo da hora de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada é como se estivesse em casa. E viajar tem esse todo de infinito que cabe em um único vernáculo, é uma saudade adiada do instante da partida até o fim da vida, pois não há quem viaje que não queira partir novamente. É nascer e morrer, novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-6768296207112360604?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/6768296207112360604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=6768296207112360604' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6768296207112360604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/6768296207112360604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/03/viajar.html' title='Viajar'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-2300349031088959590</id><published>2007-02-09T02:24:00.001-02:00</published><updated>2008-08-26T03:41:33.579-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crime'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estupro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retrato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='micro-conto'/><title type='text'>Retrato II</title><content type='html'>"Saí do trabalho um pouco mais tarde que o usual. Os recorrentes atrasos dos últimos dias me prenderam por algumas horas a mais no escritório. Fora isso, a rotina manteve sua constância. Estava nos vagões do metrô da cidade às 22 horas e já quase às 23 estava no usual caminho para casa. Do metrô até minha casa é uma pequena caminhada que eu repito há uns doze anos. Minha mãe perdeu a preocupação, desde a escola é a mesma coisa, e agora que estou trabalhando não seria diferente. Mas essa noite algo diferente aconteceu: foi perto de um trecho um pouco mais deserto da rua que eu senti uma mão segurando meu corpo e uma ponta de faca no meu pescoço. Era um homem. Ele falava com aspereza e me dizia que se eu gritasse ele me matava ali mesmo. Não o desobedeci e esperei para ver o que ele queria comigo. Com um pouco de relutância e luta, ele me carregou para uma pequena viela escura, no caminho da minha rua. Começaram a rolar as primeiras lágrimas pois eu sabia o que ele queria de mim. Ele voltou a me ameaçar e minhas pernas começavam a tremer de medo. Guardou a faca em algum lugar e com as duas mãos passou as mãos nos meus seios. Fiquei paralizada, meu corpo inteiro tremilicava e suava frio. A respiração dava pequenos socos e senti vertigens, vontades de desmaiar e não sentir mais aquele homem atrás de mim. Após alguns minutos (que me pareceram horas) daquela tortura, ele me jogou no chão. Deitou seu corpo pesado em cima de mim e pela primeira vez vi seu rosto: ele estava claramente alcoolizado. passou a mão por dentro da minha saia e começou a tirar minha calcinha. Senti o pânico da morte. Implorei a ele que por favor não fizesse nada, que tinha família, noivo. Nada o consolou. Prendi com as pernas a roupa de baixo e ele cansado da luta puxou a peça do meu corpo, ragando-a. Ele já abaixava as calças, ajoelhado entre as minhas pernas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aquela vadia é uma ingrata. Trabalhei a vida inteira como ajudante de marceneiro, numa oficina que fazia móveis por encomenda a quatro quadras de casa. Com a queda no número de pedidos, meu patrão me despediu. A notícia foi má recebida em casa, a minha mulher teve um surto e falou que naquela noite não dormia em casa. Passei a noite na casa de um amigo e no dia seguinte voltei para assumir meu posto de homem da casa. A mulher bateu o pé e disse que eu não voltava para casa sem um emprego. Ela precisava do dinheiro para alimentar meus filhos, que são quatro, todos morando com a gente. Fiquei puto. Passei a dormir na casa de outros companheiros, um diferente a cada noite. O pouco dinheiro que eu ganhava, pedindo na rua ou em bicos que eu conseguia, gastava em cachaça no bar da esquina e naquelas máquinas caça-níqueis. Um dia eu estava realmente mal. Fazia pouco mais de um mês que minha mulher havia me expulsado de casa. Tomei várias doses de pinga naqueles copinhos americanos onde geralmente se serve café. Mal o colega servia a pinga, eu já virava. Comi uma marmita no bar mesmo, que a fome já era grande. Por causa da bebedeira, guardei a faca no bolso. Eu nem sabia o que eu tava fazendo direito, achei que a faca ia ser útil, mas depois de um tempo a idéia parecia totalmente absurda. Tomei a última e fui embora, sem um tostão furado no bolso. A rua se desenhava torta nos meus olhos. Os pés não obedeciam direito e os passos vacilavam constantemente. Resolvi sentar numa mureta e esperar a tontura passar. Era só eu e a rua, todo mundo já tava dormindo, eu acho. Foi ai que passou uma moça na rua com o passo desapressado. O cheiro dela me lembrou dos tempos bons com a mulher, que hoje já tava velha e estrupiada. Fui atrás dela. Pensei em pedir um trocado ou lugar para passar a noite, quando a minha mão foi para o bolso da calça e sentiu a faca. Fiquei possuído pelo diabo, puxei a faca e fui em cima dela. Botei a faca no pescoço e pensei no que ia pedir. Aí senti aquele corpo quente, aquele cheiro bom de perfume. Dei uma olhada para a rua para ver se alguém passava. Achei perigoso ficar com a mulher ali, então puxei ela para uma viela escura, a poucos passos dali. Ameacei-a e logo em seguida pûs as mãos no corpo dela. Que morena gostosa! Barriguinha sarada, os peitos grandes, não exagerados, a mulher tinha um corpo de não se desperdiçar. Passei a mão no corpo dela várias vezes, inclusive por baixo da roupa, que era muito mais quente e começou a me dar um tesão danado. Deitei-a no chão de pernas abertas e me ajoelhei perto da barra da saia dela. Tirei a calcinha dela a força, com tudo e abaixei as calças. Ela lutou muito tentava se afastar de mim mas eu voltei a puxar a faca. Falei para ela que só queria fazer isso e não ia machucar ela depois, mas a vadia não sossegou. Guardei a faca de novo e dei uns socos nela, que não iam matar a desgraçada, mas ia deixar ela mais macia para eu terminar o serviço. Após umas porradas ela sossegou e abriu as pernas para mim. Ô morena gostosa! Fazia tempo que eu não sentia as pernas de uma mulher tão boazuda assim. Começamos a trepar e, se dependesse de mim, eu ia ficar um bom tempo com a mulher."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O crime nas cidades grandes anda cada vez pior. Eu que sou policial militar há quinze anos sei bem como os bandidos ficaram mais espertos nos últimos tempos e como o trabalho de policial passou a ser sinônimo de um trabalho inseguro. É tensão e medo todas as horas do dia. Mas as coisas não foram assim nesse dia e eu estava a caminho de casa novamente. Pensei no momento de chegar em casa e rever meus dois filhos e minha esposa. Morria de fome também e precisava jantar. Fazia o caminho de todos os dias, com a típica sacola onde levava a farda e outras coisas de todos os dias. Eram precisamente 22:47 quando passei por uma rua aparentemente deserta, o trecho mais vazio até minha casa, quando comecei a ouvir choros e soluços vindos de uma viela, perto de um poste e um orelhão. Vi uma sombra em cima de outra e após um tempo com meus olhos se acostumando a escuridão percebi que era um casal transando. Mas a mulher chorava muito e não hesitei em puxar a arma de dentro da sacola, presa ao cinto, e apontar para o estuprador. Gritei "mão na cabeça, filho da puta!". Ele demorou um bom tempo a perceber que estava falando com ele. Mas ao ver a arma apontada contra ele, ele não hesitou em botar as mãos na cabeça. Fiz ele deitar no chão, ainda com as mãos na cabeça, e revistei o cujo. Não encontrei nada senão uma faca daquelas comuns com ponta e serrilhada, típica faca de cozinha. A moça descomposta chorava sentada com as costas contra a parede. Perguntei o óbvio para ela e ela confirmou que ele realmente era um estuprador. Prendi o delinquênte com o par de algemas da minha sacola, pedi a ela paciência e voltei ao orelhão para pedir uma viatura no local. Em cinco minutos, tudo preparado. Confesso que fiquei perplexo, não pelo fato de pegar mais um marginal em flagrante, mas pelo fato de que era a primeira vez que havia presenciado um estupro. A moça continuava chorando e pedi a ela um pouco mais de paciência: ela precisava me acompnhar até a delegacia para prestar queixa e fazer exames que constatassem o crime. Fiquei mais tocado pelas lágrimas ao olhar aquele rosto e perceber uma leve semelhança com o de minha mulher. Mais ainda: ela tinha traços bem parecidos com o da minha filha. Fiquei horrorizado com a coincidência e o sangue me ferveu. Estava a um passo de cometer a pior das faltas no meu trabalho, após quinze anos de serviço."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O policial foi e voltou pelo trecho da viela com a rua de onde veio algumas vezes. Estava nervoso, desnorteado. Sabia que em breve a viatura chegaria ao local e que se fosse fazer algo, teria de fazer logo. Era fato que o que aquele estuprador ia sofrer na cadeia talvez compensasse as imagens da sua mulher e da sua filha chorando, vítimas do estupro. Não aguentou mais. Pensou em executá-lo ali mesmo, mas isso renderia problemas a ele. Num golpe de astúcia, o policial jogou as chaves da algema na mão do criminoso. "Se solta e dá o fora!". A vítima do crime  ficou indignada e perguntou como ele era capaz de soltar um criminoso após pegá-lo em flagrante. O bêbado não hesitou e como pôde soltou uma das mãos da algema, o suficiente para ele se levantar e sair correndo em disparada, na direção oposta de onde todos os personagens haviam entrado em cena e onde estava o policial. Este saca a arma e efetua disparos. O primeiro acerta em cheio as costas do lado direito, região do pulmão. O segundo vai direto para a cabeça e derruba efetivamente o marginal. Mesmo após vê-lo caído, o policial não pára e dispara as quatro balas restantes do revólver 38 no corpo. Ele dá uns passos e verifica os batimentos cardíacos pelo pescoço. Ele estava morto. Retornando para perto da mulher, o policial diz "Lembre-se: ele tentou fugir". "Ele tentou fugir", repetiu a mulher maquinalmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-2300349031088959590?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/2300349031088959590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=2300349031088959590' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2300349031088959590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/2300349031088959590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/02/retrato-ii.html' title='Retrato II'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-9015500711574298858</id><published>2007-01-30T00:21:00.000-02:00</published><updated>2007-01-30T01:00:10.631-02:00</updated><title type='text'>A tragédia é universal</title><content type='html'>Acredito ser péssimo crítico de arte, principalmente em matéria de cinema. Sou um cara muito chato para filmes: gosto de filmes que me façam sair do cinema com dor de cabeça e que tenham me guiado ao longo de seu enredo por todo o tipo de sensação e sentimento possível. É raro que as duas coisas aconteçam ao mesmo tempo, mas ontem isso aconteceu: fui assistir &lt;a href="http://www.paramountvantage.com/babel/"&gt;Babel&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não minto que tive algumas motivações para querer ver esse filme. Primeiramente me guiei pelo falho instinto do "indicações a prêmios famosos", o que quase sempre me engana soberbamente. Depois percebi o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;casting&lt;/span&gt; do filme, Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael Garcia Bernal e a direção de Alejandro Gonzáles Iñárritu, cujo trabalho até hoje me passou levemente despercebido senão por algumas cenas perdidas de "21 gramas". Tudo soava bastante tentador, até o momento que fui procurar saber um pouco sobre o enredo do filme. O fato de serem várias histórias paralelas em lugares diferentes do globo que de alguma maneira se conectavam sôou de maneira sedutora e não pude resistir mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o filme superou minhas expectativas. Não vou dar detalhes da história, mas posso dizer que a maneira como o filme é costurado dá todo o charme à película. O gênero de histórias paralelas que se unem para dar liga a uma história maior já foi bastante explorada por outros diretores, mas Babel não faz um elo direto entre as histórias e o que liga cada trecho é algo bem sutil. É possível inferir diversas coisas do filme, ainda mais pelo grau de realidade que cada história em cada país é retratada e a diferença e o choque de cultura expostos. A trilha sonora de responsabilidade Gustavo Santaolalla, mesmo compositor da trilha de Diários de Motocicleta, auxília a dar toda uma atmosfera ao filme, independente do país no qual a cena se passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Babel, enfim, é um filme comovente e consegue mostrar a quem assiste a triste realidade do mundo hoje. Não apenas do México, Marrocos e Japão, mas das pessoas que vivem nesse mundo caótico de diferenças e intolerância. A linha que une a base do filme pode ser meio fraca e talvez forçada em alguns pontos e talvez a não-linearidade dos fatos renda alguma dor de cabeça aos menos cientes da temática do filme, mas as histórias separadas representam perfeitamente que a dor existe em qualquer lugar do mundo sob diferentes formas. Afinal, somos seres humanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-9015500711574298858?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/9015500711574298858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=9015500711574298858' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/9015500711574298858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/9015500711574298858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/01/tragdia-universal.html' title='A tragédia é universal'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-4335233090396125389</id><published>2007-01-15T02:37:00.000-02:00</published><updated>2007-01-15T04:43:07.110-02:00</updated><title type='text'>Palavra que faz chorar</title><content type='html'>São Paulo, 15 de janeiro de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi sua carta e sua foto. Como sempre, você está deslumbrante, não tenho muito o que falar, porque na carta anterior (que eu não enviei) já havia te dito tudo que eu acho de você. Vi sua foto mais atual e de bate-pronto lembrei de quando te conheci, ano passado. Primeiro não dei bola, depois passei a te olhar, depois era tarde demais. Eu lembro que teve uma semana que perdi minha saúde só de pensar em você, sucederam-se febres, gripes, dores na garganta, depressão e dores de fazer qualquer cardiologista morrer de dó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem recebi a notícia da sua partida. Quando fui me dar conta, você já estava lá do outro lado do mundo. Se fosse uma viagem de férias, ou mesmo a trabalho, talvez eu não ficasse tão mal. Mas você vai ficar por aí. Abandonar tudo, começar de novo e me deixar aqui, estático e de coração na mão. Fingi por uns dias que nem ligava para isso, mas eis que hoje me deparei com você, com sua foto, com sua carta. Você me botou mal que foi o diabo. Lembrei, da sua foto, que nós nunca conversamos direito, nós nunca tiramos fotos juntos, lado a lado. Ficou um vazio aqui. Quase editei algumas fotos nossas para botar nós dois juntos, mas não ia fazer sentido, nós nunca estivémos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas por aqui estão indo, estão passando. Brasil, São Paulo e São Paulo novamente gozam de uma grande apatia do pós ano novo. Voltamos ao trabalho e tudo ficou chato. Esquecemos nossas promessas de ano novo (a cueca verde-esperança foi lavada e encostada na gaveta), não sobrou peru ou Chester e as lojas estão abarrotadas de promoções de panetones. Tudo ficou irremediavelmente chato sem a sua presença nessa posição geográfica do globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que talvez nunca mais voltemos a nos falar. A novidade torna o antigo desinteressante, mas tente não me esquecer. Aguardo outra carta sua, outra foto sua. Prometo que mando de volta a resposta, uma foto minha e um vidrinho com lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-4335233090396125389?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/4335233090396125389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=4335233090396125389' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4335233090396125389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/4335233090396125389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/01/palavra-que-faz-chorar.html' title='Palavra que faz chorar'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-8864991137186923330</id><published>2007-01-07T03:23:00.001-02:00</published><updated>2008-08-26T03:42:19.018-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='retrato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='micro-conto'/><title type='text'>Retrato I</title><content type='html'>"Bateu à porta três vezes, enquanto se protegia da chuva forte que mantinha em suas casas a maior parte dos cidadãos. Eram onze, onze e meia da noite, não dava para se ter noção. Protegido por uma capa de chuva barata, o homem antes de tocar a porta novamente foi interceptado pelo morador do pequeno quarto nos fundos da casa no bairro classe média-baixa. 'É você? entra' disse após se dar conta da visita esperada. Fechada a porta, o visitante já retirava a capa que não o salvou de todo da tempestade. O inquilino retirava uma garrafa de uísque da geladeira e a forma com alguns cubos de gelo faltando enquanto propunha ao cavalheiro que se sentasse à mesa. O diálogo teve início assim que o homem percebeu o cinzeiro cheio de cinzas enquanto o amigo servia a bebida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fumado demais, não? Ainda vai te fazer uma mal desgraçado isso.&lt;br /&gt;- Fumo porque sei que o que vai me matar não é o cigarro.&lt;br /&gt;- O fígado?&lt;br /&gt;- Talvez, antes fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gole no copo gelado traz um quentume na garganta do visitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vim para falar sobre umas questões do partido. Acredito que você saiba algumas coisas.&lt;br /&gt;- Só sei que o governo está atrás de nós. Saí de casa assim que o primeiro dos nossos foi preso, não tive tempo para acompanhar as notícias desde então.&lt;br /&gt;- Foi difícil de te achar.&lt;br /&gt;- Eu sou perspicaz meu caro: me livrei de uma ditadura com um capeta bem pior no governo. Não é nessa que vão me pegar.&lt;br /&gt;- Você talvez não, mas já somam as dezenas de homens nossos que andam sumindo nas ruas da cidade.&lt;br /&gt;- Esses caras são fodas, acham que pegar qualquer zé ruela vai dar alguma resposta. Os grandes como eu fogem rápido. Deve ter companheiro nosso na Europa a essa altura.&lt;br /&gt;- Talvez... Escuta, invadiram nossa sede...&lt;br /&gt;- Tinha alguém lá?&lt;br /&gt;- Alguns membros. Levaram documentos, cofres e até a nossa secretária para um interrogatório. O que havia de mais importante já fora retirado.&lt;br /&gt;- Menos mal. Mas conta, tu não vieste aqui apenas para falar que estamos num mato sem cachorro ou que nossa sede foi invadida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro gole na bebida, dessa vez seco, quase direto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles pegaram sua mulher, doutor...&lt;br /&gt;- Ela não estava em São Paulo.&lt;br /&gt;- A polícia especial descobriu de alguma maneira. Querem usá-la para que o senhor se entregue. Dizem as línguas que se o senhor não se entregar em 48 horas, vão começar a aprontar com a mulher.&lt;br /&gt;- Que absurdo... Esses caras não tem o menor pudor. Veja a merda em que se país se encontra: até surrar mulher para abafar uma minoria na causa política. Que voz nós tivemos no congresso, na câmara, mesmo na imprensa? Nenhuma. Agora, para pegar um velhote de 50 e poucos anos, que a polícia incopetentemente não consegue pegar, vale tudo. Pro inferno com essa ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pôs-se novamente a fumar: acendeu um cigarro encostado no cinzeiro e o segurava entre os dedos, enquanto se punha pensar de frente para a geladeira. Após três pitadas seguidas de baforadas contra uma janela entreaberta, enunciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um dia meu caro, esse país será livre. Haverá espaço e voz política para todas as pessoas e todos os partidos. Não haverá mais censura e essas mentiras que nós lemos no jornal. O povo tomará gosto por defender seus direitos e se insurgirá contra os tiranos e generais. Vejo o povo brasileiro entoando o nosso hino nacional, o orgulho de ser brasileiro. Eu enxergo longe, meu filho, eu vejo a abertura política. Se não enxergasse, não teria lutado até hoje, não teria fugido até hoje.&lt;br /&gt;- Eu acredito que sim, doutor, mas o dia em que houver tudo isso, nós seremos esquecidos.&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, bate à porta um terceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve ser a mulher da casa em frente. É minha amiga, a essa hora me traz um pouco da janta e o jornal do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz ainda pingando abre a porta. Para sua surpresa, não aparece uma mulher e sim vários homens fardados, indiferentes à chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãos à cabeça, vocês estão presos."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-8864991137186923330?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/8864991137186923330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=8864991137186923330' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8864991137186923330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/8864991137186923330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/01/retrato-i.html' title='Retrato I'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-387066294233110203</id><published>2007-01-04T00:11:00.000-02:00</published><updated>2007-01-04T01:18:20.443-02:00</updated><title type='text'>Arte on demand, poesia contra a morte e outros temas</title><content type='html'>Foi lendo a antologia dos primeiros anos d'O PASQUIM que eu li uma entrevista com Paulo Mendes Campos sobre o papel e a valorização da arte (isso já nos anos 70). Ele declarava que era difícil viver de adaptações e tudo o mais, pois era necessário muito mais trabalho para conseguir ganhar o mínimo necessário para ele sobreviver. Antes isso fosse algo isolado, mas eu percebi de muitas leituras minhas que a maioria dos escritores realmente precisam dar muito duro para conseguir reconhecimento e dinheiro. E dinheiro passa longe de significar luxo, estou falando de subsistência. Claro, os caras provavelmente estavam tirando uma casca do governo, onde na mesma entrevista comentava-se que o Brasil era um dos poucos países onde a arte era um bem desprezado e pouco valorizado (bem típico de militares, diga-se de passagem), mas no contexto dos dias de hoje, é muito diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso: suponha que algum dia eu venha a escrever profissionalmente e de repente me depare com essa onda de desvalorização da arte. Paro alguns instantes e tento imaginar, minha imagem é meio que de desespero com tristeza. Acho tão triste, e em parte compreensível, que hoje não se tenha uma necessidade por arte. Lembro quando, numa das minha idas ao Itaú Cultural, vi uma família inteira que foi ver a mesma exposição que eu. Perguntei-me quantas famílias daquelas deveriam fazer isso. Talvez o principal bloqueio em relação a arte seja a associação com algo que apenas poucas pessoas possam entender ou fazer, meio que uma elitização do termo. Imaginem então alguém que tente viver exclusivamente de arte, como aqueles artesãos que vendem quadros em azulejos no centro de São Paulo e na avenida Paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais engraçado é que eu nunca consigo chegar a uma conclusão quando o tema é arte. Aparecem tantos ramos que dependem do assunto e desencadeiam novas discussões que bota qualquer um perdido. Para mim, no final das contas, arte é uma diversão, seja criar como assistir. Lembro daquelas aulas de arte que tínhamos no primário: fizemos até reuniões na casa de colegas para fazer algo legal. Era muito divertido. Acho que estou ficando velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei um livro do Drummond novo (para a coleção) já faz um tempo: "A Paixão Medida". Eu quis comprar os livros do homem em ordem cronológica de publicação, mas como as prateleiras de poesia em livrarias não são as mais fartas, acabei pegando esse livro mesmo, já que mais hora menos hora ele ia figurar na minha prateleira. Fui ver que foi um dos últimos livros dele. Li aquela introdução histórica do papel no livro na bibliografia do autor e percebi que era uma fase de total maturidade do poeta, algo como a necessidade de escrever para lutar contra a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito perplexo com isso. Eu como jovem que sou talvez não entenda muito disso. Mas tento conceber como é imaginar que dentro de alguns anos morrerei e preciso verbalizar tudo que eu puder, antes que eu morra, para os que ficam entenderem o que é realmente a vida, passados todos os anos como ser humano e como autor. Resultado: encostei provisoriamente o livro, se o ler, não entenderei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente o "padrinho" desse blog se faz presente. Certo dia indaguei sobre o primeiro capítulo do livro que ele estava escrevendo e que pedi na mais pura curiosidade do gênero "qual o estilo desse cara". O resultado é que ele me explicou o que se passava para acontecer tal atraso e de quebra me disse de onde veio a inspiração para o livro. Era um conto que, por não caber em si mesmo, acabou desabrochando em um pedaço de uma história maior e no final acabou virando um capítulo de um livro. Essa história é velha de guerra para quem já experimentou escrever alguma vez, mas algo me fez pensar: esse tempo todo eu nunca arrisquei uma narrativa um pouco mais longa, mais elaborada. Será que eu consigo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-387066294233110203?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/387066294233110203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=387066294233110203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/387066294233110203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/387066294233110203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2007/01/arte-on-demand-poesia-contra-morte-e.html' title='Arte &lt;i&gt;on demand&lt;/i&gt;, poesia contra a morte e outros temas'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-1367486752944001989</id><published>2006-12-23T20:08:00.000-02:00</published><updated>2006-12-23T20:58:28.741-02:00</updated><title type='text'>Aquele famoso texto sobre o final do ano</title><content type='html'>Eu parei para dar uma olhada em textos de final de ano no meu espaço antigo. Meus dezembros não costumam ser lá aquelas coisas, sempre tem alguma coisa azeda que desponta em dezembro. E tem sempre aquela reflexão a respeito do ano inteiro, no melhor estilo "retrospectiva". Ai é aquele choro das coisas boas e das coisas tristes, seguida pela perspectiva de um ano que vem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2006 para mim foi um ano estranho. Bastante, diga-se de passagem. Eu falo aos meus amigos que 2006 foi uma b., mas convenhamos, não foi tão mal assim. E digo isso, não pelo punhado de coisas más que aconteceram esse ano, as desavenças e problemas mais sérios (na família, principalmente), mas eis que estou aqui vivo e escrevendo. E não estou abalado não. Foi um ano sobretudo de mudanças e aprendizado, coisas que tornam a gente melhor e mais humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não foi só comigo, foram meus amigos, colegas e inimigos: mudou tudo para todos. Alguns entram ano que vem de bem com eles mesmos, outros amargam e rezam por um ano novo que traga um pouco de paz e felicidade. Quem nesse mundo não quer ser feliz? E por falar em mundo, o mundo é quem sofreu com mais um ano de existência. Tanta coisa passada: guerra, gente boa que morreu, aquecimento global (e todo o seu ramo de problemas que dão uma crônica por si só). Percebo que o mundo está mudando e a visão que eu tenho dele. Fico imaginando se daqui há uns dez anos, por exemplo, será possível colocar um filho no mundo. Ainda mais no Brasil, onde os preços aumentam (façam as contas do começo e do final do ano) e o salário é a mesma coisa, a mesma promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misticamente não sabemos o que esperar de 2007. O futuro sempre dá aquele medo, que é o medo daquilo que você não sabe o que há por vir. Eu lembro que no dia 1 de janeiro de um ano que nem sei mais, eu acordei muito cedo e vi pombinhas na frente da casa da minha avó. Tirando de memória as lembranças do passado, saquei um punhado de arroz e taquei aos bichinhos. Eu não lembro se isso me deu um ano melhor, mas acredito que deu sorte na vida e umas linhas para crônicas. Da minha parte, só espero que em 2007 o mundo se torne melhor e que eu seja um melhor escritor em relação aos anos passados. Eu e o mundo agradecemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-1367486752944001989?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/1367486752944001989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=1367486752944001989' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1367486752944001989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/1367486752944001989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2006/12/aquele-famoso-texto-sobre-o-final-do.html' title='Aquele famoso texto sobre o final do ano'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-7473594695884820635</id><published>2006-12-16T22:51:00.000-02:00</published><updated>2006-12-16T23:33:12.719-02:00</updated><title type='text'>Eu gosto!</title><content type='html'>É, eu quase esqueci de um detalhe técnico a respeito dos meus conhecidos leitores: eles não gostam/entendem de poesia. Ou ainda eu fui tão aleatório na minha escrita que eles se assustaram e nem quiseram comentar o que eu escrevi. Mas faz parte, melhor do que receber um singelo "é, é bonitinho", fazendo alusão ao meu primeiro texto nesse espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas demos uma guinada no assunto e tomemos o caminho do assunto da crônica de hoje: gostos. Paro para pensar por uns dez minutos e já consigo listar uma infinidade de coisas que eu gosto e formam a existência do ser que escreve aqui. Digo isso porque podemos descrever uma pessoa fisicamente, mas o que complementa o ser de uma pessoa é o conjunto de idéias que ela possue e, finalmente, o que ela gosta e desgosta. Ai veio a pergunta "então, quem é João, pelos seus gostos?". Eis aqui uma breve tentativa de enumerar gostos pelos quais eu gostaria de ser lembrado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, café. Não que seja a substância mais fundamental para mim, mas é a que inspirou essa crônica. O café é o melhor amigo do atrasado, pois quem precisa passar noites em claro, precisa beber café. A longo prazo, a ingestão excessiva de café deve fazer uns males horríveis, mas é a melhor solução imediatista para o pseudo-ganho de tempo. Fora o fato de que quando quer se curtir ou dar uma ajuda ao estômago que digere um farto almoço, um café vem como uma luva para uma mão para os adoradores da cultura paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é outra tara e necessidade fisiológica que eu tenho. Não é blasfemar na frente do computador, é reunir um conjunto de idéias e falar "vou fazer arte com isso aqui". Mostrar idéias e propor novas estéticas, discussões é como um todo meu objetivo, principalmente nessa era monossilábica da comunicação humana. Escrevo para não me massificar e de quebra mostrar um pouco do que sou feito. Enfim, isso por si só já é outra crônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que apenas os que viram minha manifestação física sabem: adereços para cabeça. Vai muito de acordo com a minha personalidade no momento, mas não dispenso a minha conhecida boina. Desde 2001 com ela na cabeça, só troquei ela em raras vezes por uma bandana (que embora eu goste, meu cabelo não tem a mesma opinião) e um desejado chapéu panamá (o qual comprarei algum dia que tiver uma roupa daqueles sambistas de épocas ancestrais). Já pensei em algumas vezes por algum piercing, brinco, ou coisa que o valha, mas essa idéia é regularmente frustrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar uma boa risada é coisa que eu não dispenso também. Fazer os outros rirem também. Até comento que na verdade sou um comediante frustrado, assim como muitas outras profissões que deixei de ser desde que me embrenhei no mundo da computação. Mais do que rir, fazer dar risada é algo maravilhoso, principalmente para aquele seu colega jururu de mal com a vida. Fora que não há melhor cartão de visita do que uma piada inteligente, que te põe pau-a-pau com a pessoa apresentada e dá um aspecto de intimidade com a maioria das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluir: arte. Discutir a importância da arte para mim é algo muito complicado, porque tudo que eu citei anteriormente nesse texto tem ligação íntima e direta com a arte. Arte é o subjetivo, arte é o inexplicável, arte é algo que nos dá o título de seres humanos, é onde a nossa capacidade de raciocínio é colocada a prova. A arte é uma coisa muito mínima que está presente em cada canto da vida e merece ser contemplada, como se fosse uma metáfora para a vida. E de todas as artes, poucas são aquelas que se comparem com a arte do gostar, porque é preciso muita sensibilidade com o mundo para poder eleger aquilo que forma a obra-prima do mundo: o ser humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-7473594695884820635?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/7473594695884820635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=7473594695884820635' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7473594695884820635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7473594695884820635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2006/12/eu-gosto.html' title='Eu gosto!'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-7835253312146375859</id><published>2006-12-11T23:35:00.000-02:00</published><updated>2006-12-11T23:57:16.063-02:00</updated><title type='text'>Poética perturbada</title><content type='html'>A minha relação com a poesia é um negócio que não se acerta nunca: um dia morro de desejos, outro dia nem quero saber do que ela é. Hoje vivo mais ou menos nesse hiato entre a necessidade de versejar e um senso estético distante da minha própria poesia, que culmina em uma decomposição própria da busca por um novo eu, uma nova poética. Quando escrevi esse poema, senti-me o próprio Picasso, não pela genialidade do pintor mas pela decomposição e remontagem, pelos múltiplos pontos de vista que buscam responder uma pergunta fundamental da existência da obra e do artista. Culminou nisso, uma poesia muito estranha, que pende para o surreal (nunca abandonarei essa corrente, já é meu sangue!) e uma talvez perturbação de poetas como Augusto dos Anjos, Ferreira Gullar e uma dose praticamente invisível de Haroldo de Campos. Aliás, se me virem escrevendo poemas concretos acreditem que não será coincidência alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;Gênese&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despido de meus pecados e desejos&lt;br /&gt;Encontro-me fundamental&lt;br /&gt;No meu estado de instância de homem.&lt;br /&gt;À mesa, a incorpórea metáfora distribue cartas.&lt;br /&gt;Não sei o nome do jogo, mas suo&lt;br /&gt;Como se estivesse apostando minha vida&lt;br /&gt;Na falta de roupas, adereços e memórias.&lt;br /&gt;A mesa carrega uma renda de épocas passadas&lt;br /&gt;E me faz perder a atenção do que tenho na mão&lt;br /&gt;Para me enveredar por entre as fibras&lt;br /&gt;Compostas por mãos de mulheres&lt;br /&gt;Nas agulhas imensas de tricô.&lt;br /&gt;De repente sangue, mais sangue sobre a mesa&lt;br /&gt;E o esfingético &lt;span style="font-style: italic;"&gt;croupier&lt;/span&gt; repousa&lt;br /&gt;A cabeça numa aura de sangue ralo,&lt;br /&gt;Nem parece sangue de verdade.&lt;br /&gt;Levanto da mesa e procuro um pano&lt;br /&gt;Onde eu possa limpar a matéria inorgânica&lt;br /&gt;E seguir meu jogo, compenetrado em tudo&lt;br /&gt;Menos nas cartas que levava na mão.&lt;br /&gt;Sobre o móvel de canto de sala, um relógio&lt;br /&gt;Dá a batida para a música invisível das horas.&lt;br /&gt;Tic-tac, tic-tac, tic-tac...&lt;br /&gt;Deixa-me nervoso e desejo destruí-lo,&lt;br /&gt;Moe-lo em pedaços sobre o chão de tacos&lt;br /&gt;E ver suas molas se contorcerem de dor sobre o tapete.&lt;br /&gt;Entra pela porta da sala Eunice,&lt;br /&gt;Com seus cabelos presos e boca banhada em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gloss&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pedindo um beijo.&lt;br /&gt;Um beijo, um beijo de Eunice.&lt;br /&gt;O beijo desejado, o beijo transcedental, o beijo nu.&lt;br /&gt;Uma súbita indisposição estomacal insurge,&lt;br /&gt;Vomito nos cabelos lisos de Eunice,&lt;br /&gt;Nos lábios de desejo de Eunice.&lt;br /&gt;De maneira tão sublime o rosto e o corpo de Eunice&lt;br /&gt;Agora banhados pela matéria retorcida&lt;br /&gt;De minhas tripas que formam arcos,&lt;br /&gt;Círculos e outras formas geométricas.&lt;br /&gt;Eu vomitei em Eunice.&lt;br /&gt;Ela dispara pela porta com asco,&lt;br /&gt;Como não haveria de ser diferente,&lt;br /&gt;E grita desesperada a destruição de sua beleza.&lt;br /&gt;No tapete forma-se uma piscina funda de ácidos gástricos&lt;br /&gt;E formas geométricas que convidam a um banho.&lt;br /&gt;Salto, em busca da liberdade&lt;br /&gt;Sobre o nojo de mim mesmo&lt;br /&gt;E repouso sobre um triângulo que bóia.&lt;br /&gt;Surge gigante o meu morto sobre o tapete,&lt;br /&gt;Sangrando seus litros pela cara sem rosto&lt;br /&gt;Com as cartas a mão, prontas para uma nova rodada do jogo.&lt;br /&gt;O relógio cai do móvel, e suas peças vêm se juntar&lt;br /&gt;A decomposição do meu corpo sobre o tapete.&lt;br /&gt;As molas rangem,&lt;br /&gt;Engrenagens se remontam sobre a superfície ácida&lt;br /&gt;Para montar um novo relógio sem ponteiros.&lt;br /&gt;Eunice reaparece pela porta aos berros&lt;br /&gt;Aponta para mim e me delata:&lt;br /&gt;Diz que estraguei sua beleza,&lt;br /&gt;Que estraguei seus lábios.&lt;br /&gt;Derrama sobre a minha poça seu vidrinho de cosmético&lt;br /&gt;E uma embalagem de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shampoo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Que se juntam a dinâmica do mundo novo.&lt;br /&gt;O ser da palidez borrada pelo seu próprio sangue&lt;br /&gt;Joga sobre a pocilga de misturas o manto da mesa,&lt;br /&gt;O manto entrelaçado por agulhas&lt;br /&gt;Famintas de rendas, de trabalho final.&lt;br /&gt;"Este é seu céu",&lt;br /&gt;Últimas palavras antes do silêncio primordial.&lt;br /&gt;Eu apenas bóio entre os elementos de minha nova composição,&lt;br /&gt;Meu novo mundo, meu novo eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-7835253312146375859?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/7835253312146375859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=7835253312146375859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7835253312146375859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/7835253312146375859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2006/12/potica-perturbada.html' title='Poética perturbada'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-116519249893595641</id><published>2006-12-03T21:54:00.000-02:00</published><updated>2006-12-03T22:34:59.646-02:00</updated><title type='text'>Não mais Iugoslávia</title><content type='html'>Foi numa madrugada que eu descobri quase sem querer que estava acontecendo a disputa do campeonato mundial de volei. O Brasil, desde que eu assisto a seleção dirigida pelo Bernardinho, nunca deu um vexame em um campeonato como esses (inclusive desde que o Bernardinho assumiu o Brasil nunca ficou longe do pódio, estatísticas da mídia que acompanha mais o volei do que eu). Mas a verdade é que ao contra?io da seleção brasileira de futebol, ver os meninos do volei é outra coisa. Dá gosto de ver um time jogando com garra, com velocidade, sem dar chance aos adversários. Percebe-se um sentimento de brasilidade em quadra, mesmo de um país que valoriza tão pouco o esporte que já rendeu várias medalhas olímpicas. E viva o Brasil campeão, fica aqui minha homenagem a essa valoroza equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a pauta não é necessariamente o volei, embora tenha começado do comentário sobre a futura ex-seleção de Sérvia e Montenegro, que à partir do ano que vem se tornará dois países distintos. E a coisa corre muito mais além, quem já pegou um livro de geografia já deve ter visto uma imensa porção de área báltica que já carregou sozinha o nome de Iugoslávia. Quem viveu e lembra (não faz muito tempo para os que nasceram na mesma época que eu) sabe quantos conflitos aquela região viveu. Alguns não são da minha época, mas é interessante pensar quanto tempo aquela região tomou para se moldar no que será ano que vem um amontoado de países distintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a minha lembrança mais forte seja a da guerra de Kosovo. Todos os jornais noticiavam sobre mais um pedaço da já fragilizada Iugoslávia que desejava independência. Milhares de mortes notíciadas num jornal não davam a menor perspectiva do que era aquilo que acontecia. Eu mesmo não entendia bem o que era aquilo, o que era a Guerra. Lembro que tive de fazer alguns trabalhos para a escola a respeito de Kosovo, meu professor era bastante preocupado em nos manter atualizados sobre o que acontecia no mundo, principalmente no que dizia respeito a sua disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo passamos a viver nesse período de guerras e intolerância. Isso me ajudou a dar uma perspectiva para entender o que foram mais de um milhão de civis mortos, intolerância étnica e Slobodan Milosevic. Um filme do Godard que eu assisti no meio do percurso me ajudou a entender o que é viver hoje nas ruínas de uma guerra, onde metade do país é uma parte que persiste viva e a outra metade foi bombas, tanques, soldados e guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ante toda essa situação caótica e surreal, eu sofro a minha parte quando ouço falar sobre a futura ex-Sérvia e Montenegro, no seu âmago a parte restante da Iugoslávia. Talvez seja melhor assim para sérvios e montenegrinos, mas me incomoda perceber como tudo deu tão errado para um país que não encontrou outro meio senão o da guerra para se tornar as várias partes que hoje é. E ainda há gente no Brasil que pensa em separar o Sudeste das outras regiões, por afirmar que o pólo produtivo nacional se concentra (e depende exclusivamente) daqui. Façam-me o favor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-116519249893595641?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/116519249893595641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=116519249893595641' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/116519249893595641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/116519249893595641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2006/12/no-mais-iugoslvia.html' title='Não mais Iugoslávia'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-116468207466049468</id><published>2006-11-28T00:06:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T00:47:55.536-02:00</updated><title type='text'>Na cozinha</title><content type='html'>Nem lembro o dia ao certo, mas me deu vontade de cozinhar, como aqueles &lt;i&gt;chefs&lt;/i&gt; que se vê na televisão que fazem pratos saborosíssimos que você come só com os olhos. Nunca tive uma iniciativa forte, muito menos para cozinha onde minhas investidas sempre me renderam péssimos frutos. Mas teve um dia que eu cheguei para minha mãe, estufei o peito e disse "vamos às compras".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um sacolão aqui do lado de casa. Mal fui lá, quando muito para comprar um salgado pastel (pelo preço) e anuais rosas para a namorada. Mas comprar vegetais, frutas, isso nunca, e tudo tem uma primeira vez. Fomos então na nossa jornada por uma cozinha um pouco mais saudável para a família e para uma iniciação culinária do escritor. Maçãs e bananas, perdão mas de fruta são essas poucas que eu como; uma indefectível alface, batatas, cebolas; sempre me apaixonei pelo verde das ervas e sua capacidade de dar um colorido nos alimentos. Estava saciada a nossa fome primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, com algumas compras do mercado, eis que arregaço as mangas e ponho-me na cozinha. De um peito de frango tiro a gordura e corto em pedaços bem grossos. Deixo temperar por um tempo com muito limão e sal na geladeira, e vou descansar por um tempo. Volto e já esquento um pouco de olho na panela e começo a cortar rodelas de cebola. Jogo os pedaços do frango no óleo quente e deixo dar uma boa dourada junto com um pouco do caldo de limão. Assim que cozido, jogo os anéis de cebola e junto porções de generosas de salsinha picada fresca. E pronto! Douradas um pouco as cebolas, desligo a panela e eis minha experiência culinária. Não muito experimental, devo boa parte do crédito dessa receita ao colega Renato em cuja casa estive quando o vi executar essa receita. Mas foi um começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já faz um tempo que esse ritual perdura: todo final de semana vamos ao sacolão e escolhemos algo novo para fazer. O arroz eu consegui acertar depois da trágica primeira experiência e, veja só, até na cozinha oriental eu ando atacando! Após o farto almoço ou jantar, com uma salada bem caprichada, colocamo-nos todos felizes a deitar na cama, sentar no sofá e comer um fruta e ficar vendo a televisão, como reis após o banquete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse novo ritual que se criou em casa acho que não preciso dizer muito. A vida é aquilo que fazemos e esperamos dela. Mesmo os mais relaxados deveriam se por de vez em quando para fora de casa e fazer caminhadas, sair, beber, ou mesmo cozinhar para a família/namorada(o)/amigos, pois são esses atos de frequência religiosa que dão um gosto especial as nossas vidas: eu apenas coloquei isso na prática. E um dia ainda convido os leitores para um banquete preparado por mim, aqui em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-116468207466049468?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/116468207466049468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=116468207466049468' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/116468207466049468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/116468207466049468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2006/11/na-cozinha.html' title='Na cozinha'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37667679.post-116382662146599858</id><published>2006-11-18T02:40:00.000-02:00</published><updated>2006-11-18T03:17:13.646-02:00</updated><title type='text'>Começar de novo e as regras do jogo</title><content type='html'>Após um retiro espiritual longo e penoso, João volta a escrever publicamente. Acho que é bom explicar algumas coisas que se passaram desde o último dia do antigo blog, cujo propósito de certa maneira era bem parecido com o deste. Basicamente eu desisti de tudo que era relativo à vida virtual. Eu me sentia num grande buraco, onde as pessoas sabiam da minha vida pelo orkut, conversavam comigo pelo MSN e liam ocasionalmente o que eu tenho para dizer no "Crônicas, Poesias e Estórias de um João". Ridículo, não? Pode soar exagerado para alguns, principalmente os que vivem de uma realidade parecida com a que eu vivi, mas depois de alguma reflexão, isso não me pareceu tão absurdo. Entrou em vigor o meu período de silêncio, no qual eu aproveitei melhor a vida na medida do possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa o tempo, as correntes perdem seu peso e sua capacidade de prender. Nova reflexão: afinal, o que disso tudo do qual eu abdiquei me tornou um ser humano melhor? A conclusão é que de fato deixar tudo de lado foi bom, mas, mais do que isso, o blog deixou marcas. É algo que me fez falta, não tanto para desabafar sobre a minha vida e sim para exercitar a criatividade, uma valiosa qualidade que eu julgo ter. Não escrever atrofia os músculos das mãos e dos braços e o cerébro também. Eu caminhava devagar para a saída da minha pseudo-profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou um dia alguém e me disse "cara, você escreve muito bem, você tem um perfil de um cronista". É verdade, eu tenho andado meio brigado com a minha poesia e minhas historietas soavam muito surreais e sufocantes. Mas na crônica eu era Rei: era chegar, marretar o teclado com os dedos e eis a minha visão de mundo, sempre um tema variado, contemporâneo e uma abordagem criativa sem ser demasiadamente piegas. É, é isso ai, vou tentar escrever crônicas. Começaram a florescer idéias, recortes picados do dia-a-dia que davam pano para manga de muita história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quis recomeçar a escrever no meu espaço antigo. Achei simbólico deixar aquele espaço para trás para dar margem a uma nova fase do João-escritor, um refinamento de estilo para uma quem sabe oportunidade que ainda vai surgir. Existe, à partir de hoje, o espaço "João escreve", provável título desse espaço (nem me importo como isso aqui vai se chamar), com um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;layout&lt;/span&gt; padrão do Blogger, onde eu pretendo fazer experiências culinárias com exercícios de estilo e temas variados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que o jogo seja limpo, ponhamos regras para quem escreve e para quem lê. Para mim cabe o papel de escrever com o intuito de agradar, incomodar, fazer pensar, propor uma discussão geral ou apenas narrar sob o meu ponto de vista algum acontecimento aleatório no mundo. Não digo que poemas não vão figurar aqui também. Proibo-me a colocar desabafos sentimentais, isso aqui é um trabalho, e trabalho tem folha de ponto, rendimento diário, projeto e profissionalismo: sem espaço para pessoalidades. Para o leitor, que será mais do que leitor e sim um agente regulador desse espaço, eu peço seu tempo para ler o que escrevo. Sem pressa, sente-se, acomode-se na cadeira e diga a si mesmo "vou ler um texto desse cara, vou prestar atenção". E seja duro na hora da crítica (estilo crítico de cinema impiedoso!), porque achar o que eu escrevo "bonitinho" ou "simpático" não vai me acrescer em nada. Tenha opinião sobre o que eu escrevo, não aceite tudo que eu digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicado o êxodo do sistema e a física que compõe esse diferente planeta, vamos aos poucos dar vida a ele e esperar para ver o que acontece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37667679-116382662146599858?l=joaoescreve.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaoescreve.blogspot.com/feeds/116382662146599858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37667679&amp;postID=116382662146599858' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/116382662146599858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37667679/posts/default/116382662146599858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaoescreve.blogspot.com/2006/11/comear-de-novo-e-as-regras-do-jogo.html' title='Começar de novo e as regras do jogo'/><author><name>João Francisco A. Enomoto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05652187865542509858</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
